como o governo planeja substituir exportações para os EUA

O governo separou R$ 130 milhões para encontrar alternativas ao comércio com os EUA – o novo tarifaço, de 25% sobre uma fatia das exportações brasileiras, saiu na noite de quarta-feira (15) e entra em vigor na quarta que vem (22).

O dinheiro vai para a Apex, a agência que promove produtos brasileiros no exterior. “O que a gente vai trabalhar agora é a diversificação. É um novo olhar sobre novas oportunidades a partir de um novo cenário do comércio internacional”, disse na sexta (17), o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller. Ou seja: vão buscar novos clientes.

O plano de prospecção deve sair em agosto, com foco nos produtos de 2,4 mil empresas exportadoras. O esforço é quase pedagógico: mostrar a potenciais compradores estrangeiro que existe mercadoria brasileira capaz de suprir o que eles precisam. 

A prioridade é a União Europeia, diz Müller, puxada pelo acordo recente com o Mercosul; depois vem o Sudeste Asiático, como Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã; e a Ásia Central, com Cazaquistão e Uzbequistão — países que crescem de 7% a 8% ao ano, mas estão fora do radar dos exportadores. No campo diplomático, entram as negociações do Mercosul com Índia, Japão e Canadá.

Nada disso começou agora. Desde o primeiro tarifaço – revogado em fevereiro pela Suprema Corte americana, o movimento já estava em curso: 72% das 2,4 mil empresas apoiadas pela Apex acrescentaram pelo menos um novo destino entre junho de 2025 e maio deste ano. 

E os números da balança comercial no semestre já mostram uma recalibragem nos destinos.

As vendas para os Estados Unidos caíram 13% na comparação anual, ao mesmo tempo em que as para a União Europeia subiram – justamente 13%. E as vendas para a China aumentaram mais ainda: 22%. 

E o país fechou o primeiro semestre com US$ 185 bilhões em exportações. Recorde – e uma alta de 11,5% em relação ao mesmo intervalo de 2025. 

No caso da China, vale notar, pesou o petróleo – produto que praticamente não vendemos para os EUA, já que eles são grandes produtores. Com o Estreito de Ormuz bloqueado, as refinarias  chinesas vieram buscar mais barris no Brasil. Compraram US$ 15,2 bilhões em óleo cru daqui, contra US$ 9,3 bilhões um ano antes. Um salto de 63%.

Mesmo com a queda nas vendas para os Estados Unidos, eles seguem isolados como nosso terceiro maior parceiro comercial. Veja o ranking de exportações do semestre: 

1º) China: US$ 58,3 bilhões (+22%)

2º) União Europeia: US$ 26,9 bilhões (+13%)

3º) EUA: US$ 17,4 bilhões (−13%)

4º) Argentina: US$ 7,4 bilhões (−19% – um tombo causado pela queda nas exportações de veículos, uma história à parte).

A sobretaxa dos EUA, pelas contas do Ministério do Desenvolvimento, representa 15% das exportações brasileiras para lá. Em dinheiro, US$ 5,8 bilhões por ano (com base em 2025).

A porcentagem é baixa porque os EUA tiraram da linha de fogo o que eles mais precisam comprar daqui. Café, carne bovina, peça de avião (leia-se Embraer). Sobrou para açúcar, etanol, maquinário pesado, móveis, calçados… E o trabalho agora é encontrar novos clientes. 

Fonte: Invest News

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