O Guia Michelin escolheu o histórico Palácio dos Duques da Borgonha – atualmente sede da Prefeitura de Dijon – como cenário para apresentar a primeira seleção de uvas de 2026. Referência para apreciadores de vinho do mundo todo, a região francesa foi onde nasceu o conceito moderno de terroir, refinado ao longo dos séculos.
Nesta edição inaugural, a Borgonha ostenta nove propriedades premiadas com Três Uvas Michelin, 20 com Duas Uvas Michelin, 33 com Uma Uva Michelin e 32 propriedades selecionadas.
O Guia Michelin, que há mais de 120 anos avalia restaurantes com estrelas, passou a atribuir chaves para os melhores hotéis em 2024. Agora, a publicação francesa conta com uma nova classificação para vinhedos: uma, duas ou três uvas.
Os produtores “verdadeiramente excecionais” são reconhecidos com três uvas. Independentemente da colheita, os consumidores poderão confiar plenamente em seus vinhos, de acordo com o comunicado.
Os produtores considerados excelentes, que se sobressaem em sua região, tanto pela qualidade quanto pela consistência de seus vinhos, recebem duas uvas.
Já os produtores de destaque, “que criam vinhos com caráter e estilo, especialmente nas melhores safras”, são classificados com uma uva.
Há também uma lista de recomendações, com produtores selecionados para avaliação periódica.
5 critérios
O Guia Michelin aplica cinco critérios em sua nova distrinção:
– qualidade da agricultura: os inspetores avaliam fatores como a vitalidade do solo, o equilíbrio da vinha e a gestão do cultivo;
– domínio técnico: práticas de vinificação precisas e rigorosas, que produzam vinhos que reflitam o terroir e a casta, sem qualquer defeito incômodo;
– identidade: o guia destacará viticultores que elaboram vinhos com uma forte identidade, expressando o terroir, a personalidade do produtor e a cultura;
– equilíbrio: avaliação da harmonia entre componentes como acidez, taninos, carvalho, álcool e doçura;
– consistência: as vinícolas serão avaliadas em várias safras e serão selecionadas aquelas que oferecerem qualidade constante, mesmo nos anos mais difíceis.
Os especialistas
As seleções têm como base a experiência de inspetores dedicados ao universo do vinho, todos contratados pelo grupo Michelin. “São profissionais com um percurso sólido no setor — antigos sommeliers, críticos ou especialistas em produção — que possuem um conhecimento concreto e profundo do mundo vitivinícola”, afirma o guia. As avaliações ainda passam por processo de revisão e supervisão editorial.
O próximo destino do projeto será Bordeaux. Ao longo dos séculos, Bordeaux se consolidou como uma potência no mundo do vinho, ultrapassando as fronteiras da França, tanto pelas tradições que preserva como pela capacidade de inovar.












