BTG Pactual lucra R$ 4,8 bi e bate recordes apesar de volatilidade global no 1º tri

Bloomberg Línea — O BTG Pactual (BPAC11) fechou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 4,8 bilhões, alta de 42,3% em relação ao mesmo período do ano passado, divulgou o banco de investimentos nesta segunda-feira (11).

As receitas totais de R$ 10 bilhões no período representam um avanço de 34,3% na mesma base de comparação. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROAE), métrica que mostra quanto o banco gera de lucro para cada real investido pelos acionistas, ficou em 26,6%, acima dos 23,2% de 12 meses atrás.

Os números vieram em um trimestre que, segundo o próprio banco, foi atravessado por maior volatilidade nos mercados e tensões geopolíticas. Esse pano de fundo tem encarecido o crédito globalmente, pressionado moedas emergentes e travado emissões em bolsa em várias praças.

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Mesmo no ambiente de maior turbulência, o maior banco de investimentos da América Latina captou R$ 83 bilhões líquidos de novos recursos, o chamado NNM, sigla em inglês para net new money, que mede o quanto entrou de dinheiro novo de clientes descontando o que saiu no mesmo período.

Com isso, o banco chegou à marca de R$ 2,6 trilhões em ativos sob gestão e administração (AuM/WuM), somando as plataformas de gestão de fortunas e de fundos.

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Em nota à imprensa, o CEO Roberto Sallouti destacou a diversificação da plataforma e a disciplina na alocação de capital.

“Entregamos mais um trimestre de resultados recordes, mesmo diante de um cenário mais desafiador ao longo do período”, afirmou o executivo.

Performance por área

A diversificação de negócios aparece quando se abrem as áreas de negócio. O Investment Banking, divisão que assessora empresas em fusões, aquisições e emissões de ações e dívida, faturou R$ 628 milhões, 65,1% acima do mesmo período do ano passado, puxado principalmente pela área de dívida (DCM), com contribuições adicionais de M&A e ofertas de ações.

Já o Corporate Lending, braço de crédito para empresas, bateu recorde de R$ 2,3 bilhões em receita, alta de 20,7% no ano, com a carteira chegando a R$ 281 bilhões, dos quais R$ 32,9 bilhões em pequenas e médias empresas.

A área de Sales & Trading, que atua na compra e venda de ativos para clientes, somou R$ 1,9 bilhão em receitas, crescimento de 43,1% no ano, enquanto o VaR, indicador que mede a perda potencial diária da carteira em cenários adversos, recuou para 0,32% do patrimônio, sinalizando gestão de risco mais conservadora em meio à turbulência externa.

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No varejo de alta renda, o Wealth Management & Personal Banking voltou a registrar receita recorde, de R$ 1,5 bilhão (+44,6% na comparação anual), com captação líquida de R$ 34,9 bilhões no trimestre. Em Asset Management, o NNM somou R$ 47,9 bilhões e a receita avançou 6,5%, para R$ 783 milhões.

A novidade no balanço é a vertical de Consumer Finance & Banking, criada após o BTG concluir a aquisição das ações remanescentes do Banco Pan e passar a consolidar integralmente seus resultados.

A carteira de crédito ao consumidor chegou a R$ 73,6 bilhões, com destaque para consignado e financiamento de veículos, e a Too Seguros faturou R$ 171 milhões no período. Em abril, o banco concluiu também a compra da Meu Tudo, reforçando a aposta no varejo financeiro.

Do lado da estrutura de capital, o índice de Basileia, que mede a solidez dos bancos frente a perdas, fechou em 15,9%, acima do mínimo regulatório de 10,5% exigido pelo Banco Central. O LCR, indicador de liquidez de curto prazo, ficou em 160,9%, e a base de funding chegou a R$ 379 bilhões, 31% maior em 12 meses.

Desempenho na B3 e driver

As units do BTG Pactual fecharam o pregão do último dia 8 a R$ 58,65, com valorização de 47,55% em 12 meses e de 12,38% no acumulado do ano. Esse desempenho coloca o papel entre os destaques do setor financeiro no período e supera com folga o avanço do Ibovespa na mesma base (+14,68% no ano e + 34,82% em 12 meses).

Units do BTG Pactual (BPAC11)

Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.

Parte da leitura otimista sobre os papéis vai além do balanço corrente. Em relatório publicado em 17 de março, o analista Yuri Fernandes, do JPMorgan, calcula que os créditos do FCVS podem ter gerado entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão em receita anualizada para o BTG. Outro montante de R$ 0,8 bilhão a R$ 1,4 bilhão ainda deve ser reconhecido em 2026, quando os pagamentos do Tesouro tendem a se encerrar.

O FCVS é o Fundo de Compensação de Variações Salariais, mecanismo criado pelo governo entre o fim dos anos 1960 e o início dos 1990. Servia para amortecer o descompasso entre salários, inflação e prestações imobiliárias durante a hiperinflação. Os ganhos vêm sobretudo dos bancos Nacional e Econômico (BESA), comprados pelo BTG em operações de special situations, modalidade voltada a ativos distressed e complexos.

Para o JPMorgan, a estratégia vem se transformando em linha recorrente de geração de valor. Somados ao Banco Sistema, esses três braços responderam por cerca de 36% do lucro contábil do grupo no quarto trimestre de 2025.

O relatório nota ainda que o avanço dos yields na carteira de Corporate Lending nos últimos anos pode estar parcialmente associado ao reconhecimento desses créditos. É justamente o segmento que voltou a bater recorde de receita neste trimestre. O JPMorgan mantém recomendação neutra para o papel, com preço-alvo de R$ 61.

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