Na estreia do sistema, o então presidente confundiu a ferramenta; hoje, Flávio tenta creditar autoria ao pai
No dia em que o Pix iniciou a fase de cadastros, em 5.out.2020, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que não conhecia o sistema de transferências do Banco Central.
Ao ser elogiado por um apoiador pela implantação da ferramenta, o ex-presidente confundiu o Pix com um pacote governamental voltado à aviação civil.
O episódio de 2020 contrasta com o discurso defendido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tem dito que seu pai é o criador da ferramenta. A defesa ocorre no momento em que há um embate entre governo e oposição sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e o incômodo do governo norte-americano com o Pix.
O EPISÓDIO EM 2020
Em conversa com simpatizantes em frente ao Palácio da Alvorada na época de estreia do Pix, um homem parabenizou Bolsonaro pelo novo sistema. Afirmou que a medida ajudaria a população, seria gratuita, substituiria o DOC e a TED e funcionaria 24 horas por dia.
Bolsonaro confundiu os temas em sua resposta. Começou a falar sobre um pacote de desburocratização da aviação civil e de habilitações para pilotos, que seria lançado naquela mesma semana pelo então ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).
Ao ser corrigido pelo apoiador, que explicou se tratar de um sistema para pagamentos do Banco Central, o então presidente declarou: “Não tomei conhecimento. Vou conversar esta semana com o Roberto Campos [Neto, então presidente do BC]“.
📹#vídeo Bolsonaro disse não saber o que era o Pix em 2020
💲Em conversa com apoiadores à época, o então presidente confundiu o sistema de transferências instantâneas com regras ligadas à aviação civil.
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— Poder360 (@Poder360) June 7, 2026
Naquele mesmo dia, o BC registrou a criação de mais de 1 milhão de chaves em 3h30min. Apesar de ter sido gravado demonstrando desconhecimento empírico sobre o sistema, os perfis oficiais de Bolsonaro nas redes sociais já haviam mencionado a ferramenta ao menos duas vezes, em fevereiro e agosto de 2020.
A ORIGEM DO PIX
O desenvolvimento da ferramenta começou a ser feito por uma equipe técnica do Banco Central durante o governo de Michel Temer (MDB), em 2018. O presidente do BC na época era Ilan Goldfajn.
O sistema foi lançado e começou a operar na gestão de Bolsonaro, sob o comando de Campos Neto. O cadastro de chaves começou em 5.out.2020 e o funcionamento pleno se deu em 16.nov.2020.
DISPUTA COM LULA E AMEAÇA DOS EUA
A autoria do Pix voltou ao debate eleitoral e político depois que o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) publicou um documento na 3ª feira (2.jun.2026) no qual diz que o Banco Central favorece a ferramenta de forma injusta em relação a empresas de pagamento com cartão dos EUA.
Para retaliar o Brasil, foi proposta uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, cuja aplicação depende de aprovação final do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (republicano).
O anúncio foi feito dias depois de Flávio Bolsonaro se reunir com o presidente norte-americano na Casa Branca, viagem na qual o congressista comemorou a decisão de Washington de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou Flávio relacionando os 2 eventos –a viagem do senador e os anúncios do governo dos EUA.
Em evento em Goiás na 3ª feira (2.jun), o petista chamou o senador de “traidor da pátria” e exibiu um cartaz que dizia: “O Pix é do Brasil”. Sugeriu ainda que Flávio pediu a intervenção de Trump contra o modelo brasileiro.
No dia seguinte, Flávio respondeu. Em evento em Minas Gerais, levantou um cartaz com a frase “O Pix é do Brasil e do Bolsonaro”.
O congressista declarou ter pedido a Trump para que não taxasse os produtos brasileiros e atribuiu a possível nova tarifa à relação diplomática de Lula, dizendo que há “comportamento de agressão” do governo petista aos Estados Unidos.
Fonte: Poder 360










