Brasil intensifica negociações para barrar veto da UE à carne

Equipe de Lula negocia em Bruxelas e Paris para atender exigências de rastreabilidade até setembro e preservar exportações

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou negociações com a UE (União Europeia) para reverter o veto sanitário à carne bovina nacional antes de 3 de setembro, quando a restrição entra em vigor. A medida pode afetar cerca de R$ 9 bilhões anuais em embarques ao bloco.

Na 6ª feira (6.jun.2026), o chanceler Mauro Vieira se reuniu com o comissário de Comércio da UE, Maros Sefcovic, em Paris, à margem da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Discutiram a implementação do acordo Mercosul-UE, incluindo questões relativas a produtos agropecuários.

No plano técnico, a missão brasileira em Bruxelas abriu canal direto com as autoridades sanitárias europeias, com apoio do adido agrícola do Ministério da Agricultura.

A avaliação preliminar do governo é de que o Brasil tem capacidade de fornecer os dados de rastreabilidade exigidos pelo bloco. Este é o nó da disputa.

Outra frente de análise envolve o ritmo das exportações brasileiras para o mercado europeu. Técnicos avaliam se o Brasil conseguirá esgotar, antes de setembro, a cota de carne bovina que pode entrar na União Europeia com tarifa reduzida ou zerada.

A avaliação é que, caso esse volume seja integralmente utilizado antes da entrada em vigor da medida, o impacto econômico da restrição poderá ser menor em 2026. Fora da cota, as tarifas aplicadas pelo bloco já limitam a competitividade da carne brasileira. O governo ainda verifica se o ritmo atual de vendas sustenta esse cenário.

O veto europeu ameaça cerca de R$ 9 bilhões em exportações anuais de carne brasileira. A exigência da UE envolve a comprovação da origem e rastreabilidade do rebanho. É um desafio logístico dada a escala da pecuária nacional.

A meta do governo é ter o impasse encaminhado antes do prazo de setembro.

O Brasil pode perder quase US$ 2 bilhões ao ano com a decisão da UE de retirar o país da lista de nações que cumprem as regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária e que podem exportar carnes para o bloco.

Isso porque, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, em 2025 o bloco comprou 368,1 mil toneladas do produto, somando US$ 1,8 bilhão (aproximadamente R$ 9,30 bilhões na cotação atual).

Quando a medida saiu, o Itamaraty e os ministérios de Agricultura e Pecuária e do Desenvolvimento se manifestaram em nota conjunta. Afirmaram que o governo recebeu “com surpresa” a remoção do Brasil dos países autorizados a exportar produtos de origem animal para a União Europeia.

De acordo com o governo federal, serão tomadas “todas as medidas necessárias para reverter essa decisão, voltar à lista de países autorizados, e garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu”



Fonte: Poder 360

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