Swatch e Audemars lançam relógio de US$ 400 e geram caos

Após dias acampados em filas, e, neste sábado (16), fãs finalmente tiveram a chance de comprar o novo relógio de bolso da colaboração entre Audemars Piguet e Swatch — mas o frenesi foi tamanho que diversas lojas precisaram cancelar o lançamento por questões de segurança pública.

No Dubai Mall e no Mall of the Emirates, em Dubai, o lançamento foi cancelado diante da multidão. A Swatch anunciou a decisão em seu perfil no Instagram. Cenas semelhantes se repetiram no Reino Unido, na França, nos Estados Unidos e em Cingapura.

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“Em função de considerações de segurança pública, decidimos não prosseguir com a venda do produto no Dubai Mall e no Mall of the Emirates”, disse a empresa suíça. Comunicados similares foram emitidos para lojas em Londres, em cidades do norte da Inglaterra e da Escócia, e em Lyon, Lille, Deauville e Rennes, na França. Nos EUA, a Swatch fechou cerca de 20 lojas, incluindo Nova York, Los Angeles e Orlando. Em frente à loja da Times Square, houve relatos de uma pessoa presa.

Fila para o lançamento da Swatch (Foto: Bloomberg)

“Para garantir a segurança de nossos clientes e funcionários, pedimos que não se dirijam às lojas em grandes grupos para adquirir este produto”, disse a Swatch, acrescentando que os relógios estarão disponíveis por vários meses.

A colaboração resultou em oito versões de relógios de bolso com design pop art inspirado no famoso Royal Oak, da Audemars Piguet. A peça também pode ser usada como pingente, chaveiro de bolsa ou relógio de mesa. Os preços variam entre US$ 400 e US$ 420.

Caos calculado pela Swatch

A expectativa pelo lançamento chegou a impulsionar as ações da Swatch em 15% — alimentada pela especulação de que o resultado seria uma versão plástica do Royal Oak para o pulso. A animação esfriou quando, em 12 de maio, a Swatch revelou que seria um relógio de bolso. Desde então, os papéis devolveram parte dos ganhos.

Mesmo assim, a demanda por versões de pulseira já movimenta o mercado: empresas como Helvetus e Delugs — sem vínculo com nenhuma das duas marcas — anunciaram a produção de straps para quem quiser usar o relógio no pulso. Contas falsas no Instagram, geradas por inteligência artificial, também surgiram prometendo o mesmo.

Nem todos que foram às filas pretendem ficar com o relógio. Parte dos compradores mira o mercado de revenda: anúncios por mais de € 1.000 (cerca de US$ 1.163) já aparecem na Chrono24, maior marketplace online de relógios de luxo do mundo, e no eBay.

Para a Chrono24, o lançamento foi o “golpe de marketing da década”, nas palavras do cofundador Tim Stracke. Dados do Google Trends indicam que o interesse pela colaboração Royal Pop superou até o lançamento do MoonSwatch, em 2022 — parceria entre Swatch e Omega que vendeu um milhão de unidades no primeiro ano e segue atraindo filas com edições limitadas.

“Estamos fazendo um movimento claramente ousado, que gera atenção e conversas sobre relógios mecânicos”, disse Ilaria Resta, CEO da Audemars Piguet. “Precisamos superar as limitações de uma categoria que pode se tornar irrelevante, ensinando, explicando e criando amor e paixão.”

Fonte: Invest News

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