Por que a Ajinomoto virou peça-chave na cadeia dos chips de inteligência artificial

A demanda global por chips de inteligência artificial está pressionando a capacidade da indústria de produzir os materiais dos quais eles dependem, criando novos pontos de tensão que podem desacelerar o boom.

Esse é um problema sentido pela japonesa Ajinomoto, que fabrica um material essencial para o funcionamento de semicondutores de IA.

A empresa é conhecida por temperos alimentares como o glutamato monossódico — ou MSG —, mas também por ser a fornecedora dominante do Ajinomoto Build-up Film, um produto que isola as camadas que conectam processadores a um chip.

O presidente-executivo Shigeo Nakamura, um dos principais contribuintes para o desenvolvimento do ABF na década de 1990, afirma que as projeções da Ajinomoto indicam que a empresa conseguirá atender à demanda até 2030, mas a visibilidade além desse período é incerta.

“A demanda relacionada à IA deve continuar crescendo em um ritmo ainda mais acelerado”, disse ele ao The Wall Street Journal.

Ainda assim, a Ajinomoto afirma que não aumentou preços e não fará isso apenas porque pode, apesar da pressão de investidores para monetizar seu monopólio na área de IA.

Ampliação no Japão

Em vez disso, está adotando medidas para expandir a capacidade de ABF, adquirindo terras para novas instalações no centro do Japão. A produção deve começar em 2032, embora Nakamura diga que o cronograma pode ser antecipado para atender às necessidades dos clientes.

Escassez de oferta já prejudicou a produção de semicondutores no passado, e a demanda explosiva por materiais de nicho impulsionada pela IA tornou muitos grandes fabricantes de chips dependentes da produção de uma única empresa.

Produtores de folha de cobre e tecido de vidro — usados nas placas de circuito onde muitos chips são montados — já elevaram preços, citando custos mais altos de energia e matérias-primas. Mas Nakamura afirma que a comparação não é adequada.

“O ABF não usa nem folha de cobre nem tecido de vidro”, disse ele, acrescentando que o produto é menos exposto aos custos de matérias-primas.

Segundo ele, aumentar preços apenas porque outros fizeram isso prejudicaria o relacionamento da Ajinomoto com seus clientes.

Ainda assim, esse status quo parece instável.

O custo de alguns solventes orgânicos usados pela Ajinomoto está subindo gradualmente, e fornecedores alertaram que podem repassar novos aumentos.

Embora as tensões no Oriente Médio ainda não tenham interrompido o fornecimento dos insumos do ABF, há risco de escassez de produtos como resinas brutas e cargas químicas. Nakamura afirmou que a empresa “não vê impacto direto neste momento”, observando que o abastecimento diversificado oferece alguma proteção.

Enquanto isso, os próprios substratos estão se tornando mais complexos e mais caros à medida que os chips avançam.

“Se a tendência atual de maior valor agregado continuar, espero que os preços do ABF subam”, disse Nakamura.

Mas ele alertou que exagerar pode ter efeito contrário: “Se algo ficar caro demais, as pessoas vão começar a desenvolver formas de evitar seu uso.”

No caso do ABF de alta tecnologia, porém, não há substitutos no horizonte. Alguns observadores especulam que o vidro pode substituir o filme em breve, mas especialistas sugerem que isso é improvável.

Embora avanços tecnológicos permitam o uso de vidro no empacotamento de chips até 2028, isso ocorrerá em conjunto com o ABF, segundo o analista da TF International Securities Ming-Chi Kuo.

Nakamura também destacou essa transição, afirmando: “Nosso objetivo é continuar fornecendo novos materiais que possam ser utilizados à medida que as tecnologias evoluem.”

Outra questão que preocupa o setor é se o boom da IA é sustentável. Alguns investidores sussurram sobre uma bolha. Nakamura não está convencido.

Com robótica e outras formas de IA física começando a adotar processadores avançados, o executivo da Ajinomoto vê um longo ciclo de crescimento.

“A IA não é apenas um boom temporário — ela se tornou parte da nossa vida diária”, disse ele.

Na sua visão, o verdadeiro desafio é se a capacidade de substratos conseguirá acompanhar a demanda.

Fornecedores de materiais trabalham com compromissos de décadas, disse o CEO. Embora a demanda possa oscilar, raramente desaparece de um dia para o outro, acrescentou.

Escreva para Yang Jie em jie.yang@wsj.com e Megumi Fujikawa em megumi.fujikawa@wsj.com

Traduzido do inglês por InvestNews

Fonte: Invest News

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