A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (28) um reajuste de R$ 0,48 por litro no preço da gasolina na boca das refinarias a partir de amanhã. Dá 18,6%. Mas o aumento real será de apenas 1,5% (R$ 0,04 por litro, a R$ 2,61). A mágica acontece por conta de um novo subsídio do governo.
É que a estatal vai aplicar simultaneamente um desconto de R$ 0,44 por litro, vinculado à política de subvenção aprovada pelo governo. O mecanismo foi estabelecido pela Medida Provisória nº 1.358, publicada em 13 de maio de 2026, que suspende a cobrança de impostos federais (PIS, Cofins e Cide) sobre a venda de combustíveis por produtores e importadores.
Na prática, o governo abre mão dos tributos e autoriza que a Petrobras desconte esse valor diretamente do preço cobrado das distribuidoras.
O que chega aos postos
A gasolina dos postos não é exatamente a mesma que a Petrobras vende às distribuidoras. A da refinaria é a “Gasolina A”, sem mistura. Nas bombas, entra a gasolina C, com 30% de etanol. Além disso, o preço na bomba inclui ICMS, custos de distribuição e margens de revenda, claro.
Segundo cálculos do governo, a parcela da Petrobras na composição do preço final ao consumidor sobe de R$ 1,80 para R$ 1,83 por litro. A estimativa oficial, então, é a de que o impacto máximo ao consumidor fique em R$ 0,03 por litro nos postos.
A gasolina representa 5,3% da cesta do IPCA, o que normalmente faz qualquer reajuste no combustível ser rapidamente transmitido aos preços da economia. Nesse caso, porém, o efeito deve ser bastante reduzido, devido à subvenção: entre 0,02 e 0,03 ponto percentual, segundo estimativas de mercado.
Mesmo após o reajuste, os preços domésticos seguem abaixo da referência internacional. Segundo a Abicom, a gasolina da Petrobras ainda apresenta defasagem de 55% em relação ao benchmark externo. No diesel, a diferença também permanece elevada — em torno de 30% —, mesmo após o reajuste realizado em março.
A leitura do mercado é de que parte do reajuste era inevitável diante da escalada do petróleo provocada pela guerra no Irã.
O custo fiscal
O governo estima que cada R$ 0,10 de subvenção por litro de gasolina gere um custo mensal de R$ 272 milhões para o Tesouro Nacional. A equipe econômica argumenta que parte desse custo será compensada pelo aumento das receitas de dividendos e royalties da Petrobras, que tendem a crescer junto com a alta do petróleo no mercado internacional.
Ainda assim, analistas alertam que a manutenção das subvenções por um período prolongado pode aumentar a pressão sobre as contas públicas e elevar preocupações futuras com inflação, juros e câmbio.
Fonte: Invest News












