Aprevidência privada está cada vez mais distante dos investidores brasileiros. Menos de 2% da população utiliza esse produto financeiro atualmente, segundo o Raio X do Investidor, divulgado pela Anbima. O volume é mais baixo até mesmo que as criptomoedas, que são a preferência de 11% das pessoas ouvidas pela pesquisa.
“Mais gente investe em criptoativos do que em previdência privada. Isso deixa a gente muito chateado. Ou estamos perdendo para um hype ou estamos nos vendendo de uma forma tão complicada que o cripto chega a parecer até mais simples”, admite Bruno Venceslau, superintendente de Dados da Brasilprev.
Nos últimos anos, a empresa vem tentando rejuvenescer sua base de clientes e ampliar o alcance da previdência privada no país, simplificando a comunicação com o investidor de varejo e investindo em tecnologia.
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Hoje, cerca de 33% das despesas administrativas da Brasilprev são destinadas à área de tecnologia, incluindo investimentos em pessoas, sistemas, dados e evolução dos canais digitais.
Antes da pandemia, cerca de 80% dos atendimentos eram feitos por centrais telefônicas, enquanto apenas 20% passavam pelos canais digitais. Hoje, a relação praticamente se inverteu. Em 2025, quase 85% das interações ocorreram em meios digitais.
O movimento foi acompanhado de crescimento operacional. As operações no ambiente digital da companhia atingiram R$ 3,154 bilhões em 2025. Ao longo do ano, foram registrados 15,45 milhões de acessos a serviços e transações nos canais digitais, alta de 19,9% na comparação anual.
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A mudança de perfil do investidor está diretamente relacionada ao avanço dessas plataformas. “O cliente que chega no aplicativo ou no WhatsApp não quer saber de sigla nem de economês. Ele quer entender se o plano está rendendo bem e se faz sentido para ele”, afirma Bruno.
Para isso, a companhia passou a usar inteligência artificial generativa para traduzir conteúdos técnicos em linguagem natural e personalizar recomendações. Atualmente, a Brasilprev utiliza mais de 20 modelos analíticos de machine learning voltados para retenção de clientes, redução de cancelamentos e ofertas personalizadas dentro do CRM.
A empresa também aplica IA em assistentes virtuais e processos internos. O chatbot da companhia já opera com recursos de inteligência artificial embarcada, enquanto ferramentas de OCR são utilizadas para leitura automatizada de documentos. A empresa também começou a usar agentes de IA para ganho de eficiência operacional.
O avanço tecnológico já impacta o resultado comercial. O volume de negócios influenciado por dados alcançou R$ 16 bilhões em 2025, acima dos R$ 14 bilhões registrados no ano anterior.
Outro foco da estratégia é ampliar o acesso para clientes fora da base tradicional do Banco do Brasil. Durante décadas, a distribuição da Brasilprev esteve concentrada nos canais do banco. Agora, a companhia tenta construir canais próprios de relacionamento, inclusive para pessoas sem conta corrente.
No ano passado, a empresa passou a permitir a contratação de planos de previdência diretamente pelo aplicativo e pelo WhatsApp, com onboarding digital imediato. Segundo Bruno, os primeiros resultados mostram que o perfil dos usuários desses canais é consideravelmente mais jovem, concentrado principalmente na faixa entre 30 e 40 anos.
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“É um público que está na fase mais ativa da vida profissional e tem pouco tempo para analisar alternativas de investimento. No final do dia, as pessoas querem praticidade”, diz.
Atualmente, a Brasilprev contabiliza cerca de 500 mil usuários únicos mensais nos canais digitais. Desse total, aproximadamente 90 mil utilizam exclusivamente os canais próprios da companhia, sem relacionamento bancário com o BB.
“O mercado de previdência privada não é muito amigável para os clientes, existe um desafio de democratização do acesso, de levar a previdência para mais pessoas. Por muitos anos, isso foi feito por meio de assessoria humana. Agora, a IA generativa chega para ajudar nesse processo”, aponta Bruno.
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Conteúdo produzido por Startups.com.br
Fonte: Info Money













