EMS larga na frente nas canetinhas emagrecedoras após Anvisa aprovar semaglutida brasileira

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Ozivy, medicamento à base de semaglutida fabricado pela EMS. A decisão, publicada na última segunda-feira (25), marca a primeira aprovação de um concorrente nacional da substância após o fim da patente da Novo Nordisk no Brasil.

A semaglutida é o princípio ativo dos medicamentos Ozempic, indicado para diabetes tipo 2, e Wegovy, aprovado para obesidade. Desde a queda da patente, em março deste ano, farmacêuticas passaram a disputar espaço em um mercado bilionário que transformou as chamadas “canetas emagrecedoras” em um dos produtos mais demandados da indústria farmacêutica.

O Ozivy é uma versão sintética de um medicamento originalmente biológico, ou seja, não se trata de um genérico, categoria que não existe para produtos biológicos segundo a regulação brasileira. O produto foi classificado como medicamento novo, na categoria de análogo sintético, e teve o registro concedido pela modalidade de desenvolvimento abreviado, usada para substâncias já conhecidas, mas que ainda precisam comprovar qualidade, segurança e eficácia perante a Anvisa.

O pedido de registro foi protocolado pela EMS em 2023 e seguiu a ordem cronológica e de prioridade para medicamentos da classe GLP-1 definida pela agência reguladora. O medicamento foi aprovado para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2, podendo ser utilizado em conjunto com dieta, exercícios físicos ou outros medicamentos.

A aprovação, no entanto, não foi simples. Desde março, diferentes farmacêuticas correram para registrar produtos semelhantes, mas pedidos de outros laboratórios chegaram a ser barrados pela Anvisa por falhas documentais e descumprimento de requisitos técnicos. A EMS foi a primeira empresa a concluir o processo com sucesso.

Há ainda uma diferença prática em relação ao Ozempic. O Ozivy precisa ser mantido refrigerado entre 2°C e 8°C antes e depois do início do tratamento, enquanto o medicamento da Novo Nordisk exige refrigeração apenas antes do uso, podendo permanecer em temperatura ambiente de até 30°C por até seis semanas após aberto.

Apesar da aprovação regulatória, o produto ainda não tem data de lançamento. A comercialização depende da definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Para eventual incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS), o medicamento ainda precisará passar por análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e obter aval do Ministério da Saúde.

Positivo para a EMS

A aprovação do Ozivy é resultado de uma aposta de longo prazo feita pela EMS antes dos concorrentes nacionais. Em 2024, a farmacêutica inaugurou uma fábrica de peptídeos em Hortolândia (SP), após investimentos superiores a R$ 1 bilhão ao longo de uma década. A unidade já produzia o Olire e o Lirux, canetas à base de liraglutida, mesma molécula do Saxenda, da Novo Nordisk, cuja patente também expirou no Brasil.

Foi a partir dessa estrutura industrial que a EMS desenvolveu sua tecnologia para produção da semaglutida. A vantagem competitiva é relevante. Enquanto farmacêuticas como Hypera, Biomm, Cimed, Eurofarma e Prati-Donaduzzi ainda trabalham no desenvolvimento ou aguardam aprovação regulatória para versões da semaglutida, a EMS já possui registro aprovado e infraestrutura operacional. Ser a primeira a chegar ao mercado em uma categoria tão disputada pode representar vantagem comercial significativa.

O histórico da empresa com a liraglutida também ajuda a dimensionar o potencial do Ozivy. O Olire chegou ao mercado com preços entre 20% e 30% inferiores aos do Saxenda, apostando em consumidores que já conheciam o tratamento, mas não conseguiam mantê-lo financeiramente no longo prazo.

“O tratamento da obesidade é de longo prazo e muitas vezes não é coberto pelos planos de saúde. Os pacientes interrompem porque não conseguem pagar”, disse Iran Gonçalves, diretor médico da EMS, em entrevista ao InvestNews em agosto do ano passado.

Com a semaglutida, considerada mais eficaz e de aplicação semanal, a estratégia de acessibilidade tende a ganhar ainda mais relevância quando o Ozivy chegar às farmácias. Além do mercado doméstico, a EMS vê no Ozivy uma oportunidade de internacionalização.

A companhia já indicou interesse em comercializar seus produtos em mercados onde tratamentos à base de semaglutida possuem preços significativamente mais elevados, como os Estados Unidos, onde Ozempic e Wegovy podem custar milhares de dólares por ano.

Fonte: Invest News

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