Enquanto isso, as companhias foram desenvolvendo a própria marca. Ao comprar o que gera repercussão nos festivais, passaram a construir uma narrativa crítica. Na internet, atuam em nichos, falando a linguagem dessas comunidades e incorporando memes e códigos próprios dessas audiências. E, retomando uma prática que a Miramax dominou nos anos 1990, apostaram nas premiações como ferramenta de marketing.
“Moonlight: Sob a Luz do Luar”, “Parasita” e “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo” são exemplos de títulos desses estúdios que levaram o Oscar de Melhor Filme. No caso de “Anora”, a campanha custou três vezes mais que o orçamento total do longa-metragem: US$ 18 milhões, afirma a Variety.
É aqui que entra a parte mais importante da estratégia: tudo isso retorna para a própria marca das empresas. Hoje, o público sabe o que esperar quando vê os nomes A24 e Neon em um pôster ou antes de um trailer – o que transforma as marcas em franquias por si mesmas. Isso ajuda a reduzir custo de aquisição do público.
Não à toa, a maior parte da receita da Neon vem justamente das janelas posteriores à exibição nos cinemas. De acordo com a Bloomberg, a independente arrecadou US$ 69 milhões com licenciamento para TV e streaming por assinatura em 2024, por exemplo. Outros US$ 30 milhões vieram da venda de cópias digitais e mídia física.
Em 2025, também segundo a Bloomberg, o faturamento total da companhia foi de US$ 187,8 milhões. Um valor modesto para os padrões de Hollywood — mas que representa um crescimento de 330% em três anos. Um crescimento expressivo para uma empresa desse porte.
Fonte: UOL













