O SoftBank, do Japão, pretende investir até €75 bilhões (R$ 440 bilhões) para construir 5 gigawatts de capacidade em data centers de IA na França, num movimento que, segundo o grupo japonês, deve consolidar o país como um dos principais polos europeus de infraestrutura para IA. A escolha tem a ver com a matriz elétrica da França.
70% da energia lá vem de usinas nucleares. É o tipo ideal para alimentar data centers, já que opera 24/7 (o que as usinas eólicas e solares não fazem), não depende do mercado de combustíveis fósseis (que se mostrou mais volátil do que a encomenda, com a guerra no Irã) e não fica à mercê do clima (caso das hidrelétricas, que agonizam nas secas) – além disso, não emitem CO2.
A primeira etapa, anunciada em um comunicado neste sábado, prevê um aporte de €45 bilhões (R$ 265 bilhões) para entregar 3,1 gigawatts na região de Hauts-de-France, norte do país até 2031.
Mede-se a capacidade de data centers em Watts – quanto mais potência, maior o poder computacional, claro.
Para colocar em perspectiva: 3,1 GW é quase metade da capacidade que a Europa toda tem hoje – e dá o triplo do que o Brasil abriga (nota: não somos exatamente periféricos na área; metade da potência da América do Sul em data centers está aqui).
A SoftBank classificou o pacote como seu maior investimento em infraestrutura de IA na Europa — fruto, em boa parte, da diplomacia pessoal entre o presidente francês Emmanuel Macron e Masayoshi Son, fundador do conglomerado, que se reuniram durante a visita de Macron ao Japão neste ano.
A Bloomberg já havia informado que Son chegou a aventar um investimento de até US$ 100 bilhões na França. Acostumado a receber abordagens semelhantes de executivos, o investidor japonês se interessou ao ser procurado diretamente por um chefe de Estado e passou a estudar a proposta a sério.
Macron, o vendedor
“Fiquei muito impressionado com o engajamento pessoal de Emmanuel Macron pelo sucesso econômico da França, ainda mais considerando que nossos investimentos têm se concentrado, até aqui, sobretudo nos Estados Unidos, no Japão e na Ásia”, afirmou Son em entrevista citada pelo jornal francês La Tribune.
O plano inicial prevê data centers em Dunquerque, Bosquel e Bouchain. A SoftBank também planeja desenvolver outros sítios pelo país, “reforçando o papel da França como polo europeu líder em infraestrutura digital de próxima geração”, segundo o comunicado.
A Schneider Electric confirmou parceria em Dunquerque, com o objetivo de criar um polo de infraestrutura para IA e fabricação de robôs em um terreno bem posicionado para atender clientes em Londres, Bruxelas e Amsterdã.
Macron e Son devem formalizar o anúncio durante a cúpula Choose France, encontro anual de lideranças empresariais voltado a atrair investimentos e promover o ambiente de negócios francês.
Os tentáculos do SoftBank
O plano francês vem na esteira do anúncio feito em março pela SoftBank de um grande projeto de data center em Ohio, com potencial de US$ 500 bilhões para 10 gigawatts de capacidade — um complexo de computação em IA alimentado por cerca de US$ 33 bilhões em energia gerada a partir de gás natural.
Esses aportes se somam ao Stargate, iniciativa de US$ 500 bilhões que a SoftBank toca em parceria com OpenAI, Oracle e a MGX, de Abu Dhabi, para construir data centers pelos Estados Unidos. A SoftBank também já se comprometeu a investir mais de US$ 60 bilhões na OpenAI, em troca de uma fatia de cerca de 13%.
Os movimentos refletem a ambição crescente de Son em garantir bases de processamento em pontos estratégicos do planeta, enquanto empresas de IA correm para assegurar poder computacional suficiente e dar conta da demanda. Para o SoftBank, as novas frentes podem ajudar a diversificar as fontes de receita ligadas à IA, hoje concentradas no ChatGPT.
Há, porém, dúvidas sobre a capacidade de Son de financiar todas as suas ambições. A SoftBank reduziu o tamanho de um empréstimo garantido pela participação na OpenAI, originalmente de US$ 10 bilhões, depois da resistência de parte dos credores — o grupo e os bancos que assessoram a operação passaram a trabalhar com algo na faixa de US$ 6 bilhões, apurou a Bloomberg.
Por Benoit Berthelot e Redação InvestNews
Fonte: Invest News













