Bloomberg Línea — O grupo Riachuelo, antes conhecido como Guararapes, vem colhendo os frutos de uma mudança estrutural na companhia, que tem lhe permitido expandir as vendas com melhoria das margens.
A estratégia levou a resultados positivos no primeiro trimestre. A empresa registrou lucro líquido de R$ 5 milhões, revertendo um prejuízo de R$ 45,9 milhões no mesmo período do ano passado, em um trimestre que é historicamente mais fraco para o varejo de moda.
O resultado ficou acima do consenso de analistas consultados pela Bloomberg, que esperavam prejuízo de R$ 4,7 milhões, e quebrou uma sequência de seis anos de prejuízo no período.
A empresa também encerrou o trimestre com um Ebitda ajustado consolidado de R$ 268 milhões, com alta de 14,1% e acima do consenso de R$ 256,8 milhões, com uma margem de 11,5%.
No vestuário, as vendas nas mesmas lojas (same store sales), que mede o crescimento orgânico da receita, registraram alta de 10,1% no trimestre – o 11º período consecutivo de expansão.
Para o CEO, André Farber, os ganhos tendem a continuar e a empresa segue vendo oportunidade de melhorias nas métricas. “A gente pretende, em todos os trimestres, dar lucro e continuar expandindo o lucro da companhia”, afirmou ele, em entrevista à Bloomberg Línea. “O crescimento de margem não deve parar por aí.”
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Farber atribui a visão otimista ao trabalho que tem sido feito pela gestão desde que ele assumiu o cargo em 2023. Nesse período, a Riachuelo (RIAA3) reforçou a integração com sua fábrica própria, o que tem permitido ter uma gestão da cadeia de produção e fornecimento mais alinhada e mais eficiente do ponto de vista de precificação, segundo ele.
Em paralelo, houve avanço no planejamento das coleções, com definição mais assertiva de sortimento, timing de demarcação (markdown) e controle de estoque, o que reduziu excessos e melhorou a margem bruta.
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A empresa também investiu em times seniores de moda e em criatividade via colaborações com estilistas. No campo das lojas físicas, a Riachuelo desenvolveu um novo conceito arquitetônico a partir de 2024, testado primeiro numa pop-up de 240 m² inaugurada em dezembro na Rua dos Pinheiros, em São Paulo.
A melhora operacional dessa integração foi apontada como o principal fator de expansão de margem. “A gente é a única empresa que tem fábrica própria – somos o maior empregador da moda no Brasil. Terminamos o ano passado com cerca de 33 mil colaboradores. Então, operar muito bem a integração com a nossa fábrica faz muita diferença na nossa margem. Estamos operando melhor essa integração, e isso tem trazido resultados positivos para o nosso negócio”, afirmou o CEO.
Ações da Riachuelo (RIAA3)
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Novo conceito de loja
A empresa agora tem investido para aplicar o novo conceito de loja, desenvolvido para pop-store em São Paulo, em outras unidades Brasil afora. No último mês, a empresa inaugurou uma loja expandida no ParkShopping Barigüi, em Curitiba, já no novo modelo, e o plano é fazer entre quatro e cinco reformas até o final de 2026 e escalar o formato ao longo dos anos seguintes, com meta de converter toda a rede.
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“O grande objetivo é melhorar a experiência na loja, onde o produto possa brilhar, para que o consumidor se sinta muito bem e consiga enxergar e navegar muito bem nos nossos produtos”, disse Farber.
André Farber, CEO da Riachuelo |‘A gente pretende, em todos os trimestres, dar lucro e continuar expandindo o lucro da companhia’(Riachuelo/Divulação)
A empresa também mantém o plano de inauguração de novas lojas, depois de fazer um estudo que mapeou a oportunidade de abertura de cerca de 150 novas unidades. A expectativa é de abrir em torno de 15 a 17 lojas neste ano, seguindo o plano de fazer entre 15 e 20 inaugurações por ano.
“O planejamento vai sendo feito conforme dinâmicas muito específicas: às vezes uma loja tem uma necessidade de reforma, às vezes há uma oportunidade de crescimento de área, às vezes uma mudança de importância da loja. É uma conjunção de fatores que nos leva a planejar as mudanças”, afirmou Farber.
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No campo financeiro, por meio de sua financeira Midway, a empresa expandiu seu portfólio com novas modalidades de crédito, com destaque para o consignado, mantendo postura conservadora na concessão, segundo o CEO.
A carteira cresceu de forma gradual e os resultados têm sido consistentes, com a financeira contribuindo positivamente para o resultado consolidado mesmo num ambiente de inadimplência elevada.
“A gente sonha grande, mas com os pés no chão. Começamos a crescer a carteira agora, com resultados dentro do esperado. Mas ainda é cedo para que seja algo relevante dentro do nosso negócio. O core ainda é feito pela base de cartões, de seguros e de empréstimos”, disse ele.
Cenário macro desafiador
Olhando para frente, Farber diz que se mantém confiante na trajetória da empresa mesmo diante de um cenário macroeconômico mais duro, com a inadimplência alta, o aumento da inflação e a pressão dos juros elevados.
O executivo disse que a empresa não tem sentido efeitos até o momento, mas que o trabalho feito para constantemente ajustar a operação ajuda a companhia a ganhar resiliência.
“A nossa grande fórmula de preparação é estar sempre melhorando o nosso negócio”, disse. “Eu costumo dizer aqui que se a gente parar de pedalar a bicicleta, ela cai. E se vier uma crise de qualquer lado, a gente vai sempre estar mais forte e mais preparado caso isso aconteça.”
Sobre a perspectiva para as vendas de inverno, o CEO diz que a companhia tem se preparado para se adaptar às variações do clima. No ano passado, ele disse que o inverno mais rigoroso ajudou as vendas da empresa no segundo trimestre, mas fizeram com que os produtos da estação se esgotassem mais rápido do que o previsto, o que afetou os estoques e os resultados nos trimestres seguintes.
“Estamos sendo menos beneficiados pelo inverno até agora, mas, por outro lado, estamos com o estoque de inverno bem regulado – para quando esfriar, teremos estoque onde o ano passado acabou antes”, afirmou.
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