Bloomberg Línea — A Padtec (PDTC3) decidiu criar uma nova unidade de negócios para atuar no desenvolvimento de projetos de infraestrutura submarina e costeira, de acordo com comunicado da empresa divulgado na noite desta sexta-feira (5).
Batizada de Padtec Marine Networks (PMN), a nova unidade marca uma volta definitiva ao segmento de cabos submarinos depois que a empresa brasileira de sistemas de comunicações ópticas vendeu sua operação na área em 2019 à americana IPG.
Ao mesmo tempo, a Padtec anunciou a aquisição de 85% do capital da LEV Brasil, empresa especializada em estudos geológicos, engenharia marinha e licenciamento ambiental, para apoiar a expansão no segmento.
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A transação prevê a capitalização da LEV Brasil, com o investimento sendo direcionado ao próprio negócio. Os termos financeiros não foram divulgados. Os demais 15% permanecerão com o fundador, Antonio Badagola, que assumirá a liderança executiva da Padtec Marine Networks.
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Segundo o CEO Carlos Raimar Schoeninger, a expectativa é capturar os ganhos diante de uma espécie de “renascimento” do mercado de infraestrutura submarina, depois do aumento da demanda por transmissão de dados, com os investimentos em data centers e inteligência artificial.
“Já era um movimento planejado dentro da empresa, que começou há dois anos, mas agora ele toma corpo pela pressão de mais data center, de mais inteligência artificial (IA) e de grandes players globais entrando nesse mercado, que não são só mais telecom”, disse em entrevista à Bloomberg Línea.
“Estou nesse mercado há muitos anos e nunca vi tantos projetos ao mesmo tempo nas costas do Atlântico, do Pacífico e no Caribe. Já nascemos com mais projetos talvez do que estávamos pensando em ter nesse momento da vida da Padtec Marine Network.”
O tamanho da nova unidade
A empresa trabalha atualmente no desenvolvimento de mais de 10 projetos, sendo que três estão em fase mais avançada, com expectativa de assinatura ainda neste ano, de acordo com o executivo.
A empresa não fornece guidance, mas o CEO afirma que a expectativa é que a nova unidade possa gerar entre R$ 50 milhões e R$ 150 milhões em receitas ainda neste ano. “Mas é cedo dizer, porque tem a parte de permissões, de meio ambiente. Pode ser para mais ou pode ser um pouco para menos”, afirmou.
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A ambição é capturar no longo prazo um market share de “no mínimo” 25% do mercado latino-americano, que hoje é estimado entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões – o que significaria um range entre US$ 500 milhões e US$ 750 milhões.
Segundo o CEO, no longo prazo a nova unidade tem potencial de superar o faturamento de outras unidades do grupo. “Pelo tamanho de mercado, pelo potencial de mercado, é natural que em algum momento essa unidade venha a se tornar maior do que a origem”, afirmou.
Retorno aos cabos submarinos
Desde que vendeu sua antiga operação de cabos submarinos em 2019 a Padtec se concentrou no negócio de fornecimento de equipamentos e sistemas para redes de fibra óptica, conhecidos no jargão do setor pela sigla DWDM (Dense Wavelength Division Multiplexing), e também na atuação em serviços, softwares e plataformas de apoio.
Mais recentemente, após um período de non-compete, a empresa voltou a prestar serviços de infraestrutura submarina, diante de uma demanda crescente, inclusive de antigos clientes, o que levou a empresa a estruturar uma volta ao segmento.
Carlos Raimar Schoeninger, CEO da Padtec |‘Já nascemos com mais projetos talvez do que estávamos pensando em ter nesse momento da vida da Padtec Marine Network’(ju_lia.maria)
O CEO Carlos Raimar Schoeninger, que fazia parte do conselho na época da venda do negócio, reconhece que a Padtec talvez pudesse ter se tornado um player mais forte no segmento se tivesse continuado a atuar no setor, mas avalia que a decisão foi acertada, dada a situação financeira da empresa em 2019 e uma vez que o mercado estava em um ciclo de baixa.
“A decisão pavimentou o caminho da volta, porque quando o cliente lamenta que você sai, significa que você está fazendo bem em alguma coisa. Quem nos chamou a atenção para voltar [à infraestrutura submarina] foram nossos clientes”, afirmou.
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O plano é atuar principalmente em projetos em águas rasas, nas costas do Brasil e de outros países da América Latina, incluindo no Caribe, locais onde a Padtec já reúne expertise.
“Nosso sweet spot aqui são os projetos menores. O Brasil tem uma plataforma continental que vai longe em águas pouco profundas. Nós conhecemos bem o que está ali por baixo, mas exige uma navegação especializada e controle especializado”, disse.
A expectativa é trabalhar em projetos próprios ou em parceria com terceiros, incluindo concorrentes que trabalham em projetos intercontinentais, para realizar a parte final do projeto próximo à costa brasileira, chamado de shore end.
Ações da Padtec (PDTC3)
Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.
Outro mercado potencial é o de monitoramento e a manutenção dos sistemas instalados, incluindo para fazer a armazenagem de estoques de equipamentos e cabos mais próximos da costa brasileira. Segundo o CEO, a maior parte dos sistemas não tem estoques no Brasil e depende do fornecimento de outros países em caso de substituição.
“Se a água é pouco profunda, é intuitivo prever que barcos e navios possam jogar âncoras, então as incidências de falhas também aumentam significativamente. Ter uma empresa especializada por perto, para monitorar, operar, fazer toda essa cadeia de operação, é importante. É aí que nós nos encaixamos bem nesse momento”, afirmou.
Com isso, o CEO diz que a empresa busca se posicionar como uma plataforma de “infraestrutura crítica digital”, para além da oferta tradicional de equipamentos e serviços.
“A Padtec deixa de ser só uma empresa de equipamentos e passa a ser uma empresa de infraestrutura crítica digital. Tudo aquilo que mantém os sistemas digitais funcionando está no nosso escopo de trabalho”, afirmou.
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