o que é, por que existe e qual o impacto da saída dos Emirados Árabes?

O cartel de petróleo Opep há muito tempo tenta controlar o preço do petróleo ao controlar, na prática, uma grande fatia da oferta mundial de petróleo bruto. Mas sua influência vem diminuindo há anos.

Na terça-feira, sofreu mais um duro golpe quando os Emirados Árabes Unidos anunciaram que deixarão a Opep no fim da semana. Antes do início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, os países da Opep respondiam por mais de um quarto do petróleo mundial; com a saída dos Emirados, essa fatia cairia para pouco acima de 20%.

Antes da criação do cartel, quase 70 anos atrás, o mercado global de petróleo era bem diferente. Eis como a Opep surgiu e como mudou ao longo do tempo.

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O que é a Opep?

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) foi criada em 1960 como uma forma de controlar os preços do petróleo e estabilizar os mercados globais. Atualmente, ela tem 12 membros, incluindo os Emirados Árabes Unidos, e a Arábia Saudita é sua líder de fato.

Os demais integrantes são Argélia, Congo, Guiné Equatorial, Gabão, Irã, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria e Venezuela. Juntos, esses países definem cotas de produção e podem intervir em momentos de choque, aumentando ou reduzindo a produção de petróleo.

Neste mês, em resposta ao impacto da guerra sobre a oferta global e a infraestrutura de energia, os membros da Opep anunciaram que elevariam as cotas de produção em 206 mil barris por dia em maio. Mas a medida provavelmente terá pouco efeito geral, já que o Estreito de Ormuz — uma rota crucial para o transporte de petróleo, na costa sul do Irã — permanece praticamente fechado.

Em meados de março, países do Golfo Pérsico haviam retirado de operação cerca de 10 milhões de barris diários de produção de petróleo, o equivalente a aproximadamente 10% da oferta global, segundo a Agência Internacional de Energia.

Por que ela foi fundada?

Antes da Opep, outro cartel controlava, na prática, os preços globais do petróleo. O grupo, conhecido como as “Sete Irmãs”, reunia as antecessoras de empresas como BP, Chevron, Exxon Mobil e Shell. Juntas, elas controlavam uma parcela enorme das reservas de petróleo do mundo.

“Os países produtores de petróleo estavam levando meio que a pior das negociações com as empresas petrolíferas que dominavam o sistema global de petróleo”, disse Jeff Colgan, diretor do Climate Solutions Lab na Watson School, da Universidade Brown.

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Em setembro de 1960, Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela criaram a Opep. “Na primeira década, eles fizeram várias ações, mas com pouco impacto econômico”, afirmou Colgan.

Isso iria mudar.

O poder oscilante da Opep

A década de 1970 foi, sob vários aspectos, o auge da influência da Opep. Em outubro de 1973, vários membros do cartel no Oriente Médio impuseram um embargo de petróleo aos Estados Unidos e a outros países que apoiaram Israel na guerra árabe-israelense daquele ano, também conhecida como Guerra do Yom Kippur. Os preços do petróleo dispararam, provocando um choque energético global.

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“Eles foram muito, muito eficientes em elevar o preço bruto do petróleo e capturar uma fatia muito maior das receitas provenientes do óleo”, disse Colgan. “Mas, por outro lado, o que logo descobriram nos anos 70 é que não conseguiam controlar o preço do petróleo de forma tão ampla quanto as Sete Irmãs.”

O petróleo sob embargo em 1973 representava cerca de 7% do consumo global e teve como alvo apenas um punhado de países.

Além disso, segundo Colgan, os líderes da Opep nem sempre conseguiram fazer com que os membros cumprissem as cotas estabelecidas.

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“Eles têm poder de barganha em momentos específicos; não o tempo todo”, disse. “Basicamente, eles ganham força quando o mercado fica apertado — há muita demanda correndo atrás de pouca oferta, como em momentos como o atual.”

Durante a pandemia de coronavírus, os preços do petróleo caíram acentuadamente, e o barril americano chegou a ficar brevemente em território negativo. A Opep e outros países produtores reduziram a produção o suficiente para que os preços globais se recuperassem.

Membros e expansão

A Opep passou por várias mudanças organizacionais. Aos cinco membros fundadores se juntou o Catar, que deixou a organização em 2019, aparentemente por frustrações com a predominância da Arábia Saudita no grupo. Outros países — como Angola, Equador e Indonésia — também já deixaram ou suspenderam suas participações. Alguns saíram e depois voltaram a integrar a organização.

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Em 2016, o boom do xisto nos Estados Unidos aumentou a oferta global de petróleo, provocando uma forte queda de preços. Buscando recuperar espaço na indústria, a Opep passou a trabalhar em conjunto com outros grandes produtores para elevar preços e receitas e estabilizar os orçamentos governamentais.

Esse acordo, com a Rússia e outros países, levou a uma ação coordenada para cortar a produção de petróleo e foi a base do que passou a ser conhecido como Opep+, uma aliança de países produtores que concordaram em coordenar seus níveis de produção.

“Uma das coisas que analisamos historicamente é qual porcentagem da oferta global de petróleo a Opep representa”, disse Pavel Molchanov, analista do setor na Raymond James, um banco de investimento. “Se olharmos para os anos 1970, aquele foi o pico do poder de mercado da Opep, porque naquela década a organização respondia por mais da metade da oferta global.” Desde então, essa participação caiu à medida que a produção aumentou em outras regiões.

O que vem pela frente?

O fechamento do Estreito de Ormuz é um momento único no mercado de energia, em que mudanças na oferta têm pouco impacto nos preços porque um quinto do petróleo mundial está, na prática, estrangulado. E, mesmo com a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep, o grupo continuará produzindo uma parcela relevante do petróleo do mundo.

“Agora não é o melhor momento para fazer previsões sobre a influência de longo prazo da Opep”, disse Molchanov. “Precisamos primeiro reabrir o Estreito de Ormuz e, só então, pensar no impacto de longo prazo de tudo o que aconteceu.”

c.2026 The New York Times Company

Fonte: Info Money

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