Líder mundial em iate fabricará iates de R$ 90 mi no Brasil

O segmento de iates de luxo vive um momento de franca expansão no Brasil. O retrato mais claro desse movimento está na Azimut Yatchs. Líder em iates de luxo no mundo, a companhia lançou o Azimut Grande 25 Metri no país no ano passado. Produzido exclusivamente no Brasil, o iate, com preço inicial de R$ 45 milhões, já teve dez unidades vendidas no mercado nacional.

Hoje, quem quiser comprar um precisa enfrentar uma fila de espera de pelo menos dois anos.

“O mercado brasileiro é o mercado número um absoluto na América Latina. O Brasil hoje absorve mais de 90% de todos os iates de luxo e embarcações esportivas vendidas na América Latina”, diz Carlo Alberto Sisto, CEO da Azimut Yachts Brasil. 

Confiante na demanda local, a Azimut anunciou recentemente um investimento de R$ 120 milhões para expandir sua fábrica em Itajaí, em Santa Catarina. A unidade, inaugurada em 2010, é a única da marca italiana fora de seu país de origem. 

Esse é o tema do segundo episódio da nova série especial do InvestNews, “Por Dentro do Luxo“, produzido e apresentado pela jornalista Letícia Toledo, com dez programas. O primeiro tratou dos condomínios de alto padrão que funcionam como cidades privadas no interior de São Paulo.

“R$ 80 milhões, mais ou menos, devem ir para o estaleiro, e os outros R$ 40 milhões são para investimento no produto, porque também precisamos investir no desenvolvimento de novos produtos. Todo ano nós temos um barco novo”, explica Sisto.

Com a expansão do estaleiro, a partir do segundo semestre de 2027, a Azimut deve iniciar por aqui a produção do Azimut Grande 30 Metri, modelo com mais de 300 metros quadrados de área útil, construção em fibra de carbono e preço estimado em R$ 90 milhões.

A mudança cultural que impulsionou o setor

A aposta da Azimut no país reflete transformações no comportamento da alta renda brasileira. Por décadas, o setor náutico brasileiro permaneceu limitado a lanchas e veleiros, com baixa escala industrial e forte dependência de importações nos modelos de maior valor agregado.

Esse quadro começou a mudar nos anos 2000, com a expansão das famílias de alta renda e o surgimento de novos padrões de consumo de luxo.

A pandemia reforçou a tendência ao impulsionar a busca por lazer ao ar livre e experiências exclusivas. Nesse contexto, o iate passou a disputar espaço com bens tradicionalmente associados ao patrimônio das famílias ricas, como casas de campo e imóveis de alto padrão no litoral.

Hoje, segundo executivos do setor, o cliente brasileiro busca reproduzir no mar o mesmo padrão de conforto que tem em terra. O iate funciona como uma casa flutuante, com áreas amplas, decoração sofisticada e estrutura para longas estadias a bordo.

Embarcações vendidas no país costumam incorporar soluções específicas, como áreas gourmet com espaço para churrasqueira e tanques de água maiores, para a produção de gelo para drinks, por exemplo.

Mas, se a demanda cresce, a infraestrutura ainda não acompanha. Um dos principais gargalos do setor é a escassez de marinas, sobretudo para barcos acima de 70 pés. Hoje, o Brasil conta com cerca de 20 marinas ao longo do litoral e um déficit estimado em mais de 50 mil vagas. 

Santa Catarina: polo para produzir iates

Para resolver parte dos problemas da infraestrutura, o estado de São Paulo lançou um plano para investir cerca de R$ 50 milhões em estruturas náuticas, com a projeção de movimentar aproximadamente R$ 21 bilhões por ano até 2033. O objetivo é capturar uma parte maior desse segmento, hoje concentrado muito em Santa Catarina.

Por lá são produzidos mais da metade dos barcos de lazer do país. Desde o fim dos anos 2000, o estado investiu para construir uma vantagem competitiva com programas de incentivo fiscal, escala industrial e formação de mão de obra especializada. 

Além da Azimut, Santa Catarina também concentra a produção da fabricante de iates brasileira Schaefer, uma das maiores do país, que aposta em escala e em uma linha ampla de modelos como diferencial. A italiana Ferretti Yachts também produz no estado por meio do grupo brasileiro Okean.

Esse avanço abre uma segunda frente estratégica para o setor: as exportações. Hoje, cerca de 10% da produção da Azimut no Brasil já é destinada ao mercado externo, e a meta da companhia é elevar esse percentual para 30% nos próximos anos.

A ambição acompanha um marco importante para a indústria nacional: em 2022, as exportações brasileiras de lanchas e iates superaram as importações pela primeira vez, invertendo a lógica histórica de dependência externa do segmento. 

Fonte: Invest News

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