Primeira-dama citou regulamentação de sua atuação, disse que presta contas por agenda pública e rejeitou críticas sobre viagens
A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, disse nesta 2ª feira (13.jul.2026), em entrevista à imprensa, que não sabe se seria mais adequado ocupar um cargo formal no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em entrevista ao programa Frente a Frente, do UOL em parceria com a Folha de S.Paulo exibida nesta 2ª feira (13.jul.2026), ela afirmou que sua atuação foi regulamentada para dar mais transparência ao trabalho que desempenha no Palácio do Planalto e declarou que presta contas por meio da divulgação de sua agenda pública.
Questionada sobre a possibilidade de assumir um cargo oficial, Janja afirmou que não considera essa necessariamente a solução. “Eu não sei se é um cargo, mas a gente fez uma normativa […] regulamentou algumas questões internas com relação a isso para ficar muito mais transparente”, disse.
A primeira-dama afirmou que exerce uma rotina de trabalho no Planalto, participa de reuniões, viagens e articulações entre ministérios. Segundo ela, esse modelo difere da atuação de primeiras-damas de governos anteriores.
“A sociedade brasileira nunca teve uma primeira-dama que trabalhasse efetivamente. Eu vou quase todo dia para o Planalto, faço reunião, faço agenda, viajo, trabalho”, declarou.
Janja também disse que a cobertura da imprensa costuma priorizar sua vida pessoal e as viagens internacionais em detrimento das atividades que realiza.
Agenda pública
Ao defender maior transparência sobre sua atuação, Janja afirmou que sua agenda é divulgada diariamente. “Minha agenda é pública. Tudo o que eu faço está lá”, disse.
A agenda oficial da primeira-dama passou a ser publicada no portal do Planalto em 2024. Em dias sem atualização na página oficial, sua assessoria divulga compromissos por meio de publicações temporárias no perfil de Janja no Instagram.
Segundo a primeira-dama, antes de viagens internacionais são enviados informes à imprensa com a programação dos compromissos que realizará.
Gabinete foi regulamentado em 2025
Desde a posse, em janeiro de 2023, Janja atua junto ao governo sem ocupar cargo público. Ainda assim, contava, informalmente, com apoio de servidores lotados no Gabinete Pessoal da Presidência da República.
A situação só ganhou respaldo normativo em 2025. Em abril daquele ano, a AGU (Advocacia-Geral da União) publicou uma orientação que autoriza o cônjuge do presidente a representá-lo em atividades culturais, sociais ou cerimoniais, sem assumir compromissos em nome do governo.
Em 28 de agosto de 2025, Lula assinou o decreto nº 12.604, que ampliou o acesso de Janja aos serviços do Gabinete Pessoal e determinou que a estrutura passasse a apoiar oficialmente o cônjuge do presidente em atividades de interesse público. O texto alterou normas de 2023 e tem assinatura também do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck.
O Gabinete Pessoal é chefiado pelo GPPR (Gabinete Pessoal do Presidente da República). O chefe oficial é o cientista político Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. A estrutura reúne a Ajudância de Ordens, o Cerimonial, o Gabinete Adjunto de Agenda e a Diretoria de Documentação Histórica, com 189 cargos comissionados e funções de confiança no total.
Da equipe que acompanha diretamente a primeira-dama, 8 funcionários cuidam de sua agenda e de suas viagens.
Gastos e crítica pública
Antes da regulamentação, a atuação da equipe de Janja era alvo de questionamentos da oposição e de pedidos de informação sobre despesas e atribuições.
Levantamento do Poder360 com dados do Portal da Transparência mostra que a equipe de Janja custou, em média, R$ 1,9 milhão por ano em 2023 e 2024, somando salários e viagens. No período de dois anos, o total soma R$ 3,8 milhões.
As críticas sobre gastos com viagens acompanham a primeira-dama desde o início do governo. Parte das despesas atribuídas à comitiva presidencial nas viagens internacionais foi, por vezes, contabilizada apenas em nome dela. O TCU (Tribunal de Contas da União) analisou o tema em auditoria e encerrou o caso sem apontar irregularidades.
Pesquisa PoderData, feita de 30 de maio a 1º de junho de 2026, mostra que 52% dos brasileiros que dizem conhecer Janja desaprovam sua participação no governo. Outros 31% aprovam a atuação da primeira-dama, e 17% não souberam responder.
Somente em 2026, Janja soma 5 viagens internacionais e 25 dias fora do Brasil, mais que os 20 dias do presidente no mesmo período. Desde 2023, a primeira-dama acumula cerca de 170 dias fora do país, segundo o Poder360.
Na entrevista, Janja voltou a rebater críticas relacionadas às viagens internacionais. Ela disse que costuma se hospedar em embaixadas brasileiras e viajar em classe executiva por razões de segurança definidas pelos protocolos da Presidência e da Polícia Federal.
Também afirmou que despesas atribuídas exclusivamente a ela, em alguns levantamentos, incluem custos de toda a comitiva presidencial. “É mais fácil me atingir para atingir o presidente da República”, declarou.
Segundo Janja, os ataques não alteraram sua forma de atuação. “O que eu posso responder a isso é com o trabalho”, disse.
Atuação
A primeira-dama afirmou que concentra sua atuação em temas como combate à fome, segurança alimentar, direitos das mulheres e enfrentamento à violência de gênero.
Ela também citou ações de articulação entre ministérios para ampliar a distribuição de absorventes pelo Programa de Dignidade Menstrual e iniciativas voltadas ao atendimento de crianças autistas e de mães atípicas.
Em julho, Janja foi anunciada como embaixadora da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para temas relacionados ao combate à fome.
Durante a entrevista, ela disse que seu papel tem sido promover articulações entre órgãos do governo e organismos internacionais, mesmo sem exercer função formal na administração pública.
Fonte: Poder 360











