O Brasil é o maior fornecedor de açúcar para os EUA. E na quarta (15), você sabe: o governo Trump incluiu a commodity no novo tarifaço, de 25%. Agora, as empresas americanas que compram açúcar pedem por menos tarifas de importação.
Quem fez o pedido, nesta sexta (17), foi a Sweetener Users Association, a associação que reúne as empresas compradoras de açúcar por lá — fabricantes de bala, biscoito, refrigerante. O argumento é simples: os estoques nos EUA caíram para um nível que as próprias autoridades dos EUA consideram baixo demais. Falta açúcar na despensa do país.
A conta que eles apresentaram vem de um relatório do USDA, o equivalente ao Ministério da Agricultura nos EUA, que apontou um buraco de 146 mil toneladas nas entregas de açúcar para as companhias.
A saída que a associação propõe: existem cotas de importação com tarifa reduzida, próxima de zero. São as TRQs, na sigla em inglês. Elas se aplicam a 40 países – o Brasil tem a segunda maior cota ali, de 156 mil toneladas por ano. Veja o top 10:
| República Dominicana | 189 mil t |
| Brasil | 156 mil t |
| Filipinas | 145 mil t |
| Austrália | 89 mil t |
| Guatemala | 52 mil t |
Só que o novo tarifaço prevê um adicional de 25% para todo o açúcar brasileiro que entrar nos EUA. A vantagem da TRQ, portanto, evapora.
Vale também notar que a maior parte das exportações daqui para lá vai fora da cota, pagando até 40% de imposto (na ausência de tarifas adicionais, como a de agora). No ano fiscal de 2025 (out/24 – set/25), o total foi de 535 mil toneladas. Veja aqui os maiores fornecedores dos EUA nesse período:
| Brasil | 535 mil t |
| México | 450 mil t |
| República Dominicana | 170 mil t |
| El Salvador | 93 mil t |
Do outro lado do ringue estão os produtores de açúcar americanos, reunidos na American Sugar Alliance. Para eles, já entra açúcar importado demais, e isso derruba o preço doméstico.
Desnecessário dizer qual lado está vencendo. Mas o lobby das empresas compradoras também é forte – e, claro, pesa a nosso favor.
Fonte: Invest News












