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A disputa entre Roberto Jatahy e Alexandre Birman no Azzas 2154 se intensificou com a ação cautelar de Jatahy para impedir a retirada da Reserva, visando evitar a perda de R$ 116 milhões em Ebitda. A relação entre os sócios deteriorou-se ainda mais após a saída do CEO Ruy Kameyama, que mediava o conflito. Jatahy reassumiu a divisão após a saída de Kameyama, enquanto Birman decidiu retirar a Reserva da operação de Jatahy.
A possibilidade de cisão entre as marcas do grupo é discutida, com Birman ficando com Arezzo e Jatahy com Animale. As ações do Azzas caíram mais de 60% desde agosto de 2024, e a empresa enfrenta a saída de executivos-chave, incluindo Paulo Kruglensky e os fundadores da Reserva. O Azzas não comentou a situação, mas afirmou que a questão está regulada em seu estatuto social e acordo de acionistas.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A ação cautelar apresentada por Roberto Jatahy, sócio do Azzas 2154, para barrar a retirada da Reserva da unidade de negócios sob seu comando é o capítulo mais recente de uma disputa que se intensificou nas últimas semanas entre ele e Alexandre Birman.
O pedido tem como objetivo evitar a perda de R$ 116 milhões em Ebitda associados às sinergias da integração da marca. A iniciativa foi revelada em primeira mão por Lauro Jardim, em seu blog em O Globo.
Segundo apurou o NeoFeed, o movimento ocorre em meio a uma deterioração ainda maior da relação entre Jatahy e Birman, que já era marcada por tensões.
O ponto de inflexão mais recente foi a saída de Ruy Kameyama, então CEO de fashion & lifestyle e considerado uma peça-chave na mediação entre os dois sócios. Kameyama funcionava como uma ponte num ambiente de disputa crescente por poder e controle.
Com a saída do executivo, Jatahy, que havia deixado a operação para atuar em um papel mais estratégico como chief of brands officer (CBO), com foco criativo e de expansão, voltou a assumir a divisão.
Pouco depois, Birman decidiu retirar a Reserva da operação liderada por Jatahy no Rio de Janeiro, mesmo após um processo de integração que já se estendia por mais de um ano. “Havia mais de R$ 200 milhões em eficiência gerada pela união de Soma e Reserva que retrocederam com a briga”, diz uma fonte ao NeoFeed.
Cisão à vista?
Não é a primeira vez que o tema de uma cisão volta à mesa. Sempre que a relação entre Birman e Jatahy entra em rota de colisão, esse cenário passa a ser discutido nos bastidores.
Uma das hipóteses levantadas prevê Birman ficando com Arezzo, Hering e Reserva, enquanto Jatahy assumiria Animale e outras marcas. A Farm, nesse desenho, poderia ser vendida ou separada como forma de destravar valor. A ação cautelar enviada por Birman aconteceu apenas uma reunião com Birman em que os dois brigaram exatamente quando discutiam esse cenário, de acordo com uma fonte ouvida pelo NeoFeed.
O problema é que o plano não se sustenta no curto prazo. As ações do Azzas acumulam uma queda superior a 60% desde agosto de 2024, quando passaram a ser negociadas na B3. Apenas hoje, os papéis recuam mais de 6%. Soma-se a isso a dificuldade de definir preço e a limitação de disponibilidade financeira dos sócios para uma reorganização dessa magnitude.
Enquanto o conflito se arrasta, a companhia paga a conta em outro front: a perda de executivos estratégicos. Levantamento do NeoFeed mostra que mais de nove profissionais em posições-chave já deixaram o grupo desde a fusão. Um dos casos mais emblemáticos foi o de Paulo Kruglensky, contratado para liderar a integração entre Arezzo&Co e Grupo Soma.
Ex-CEO da Vivara, Kruglensky chegou em 2024 como chief integration officer (CIO), reportando-se diretamente a Birman, com a missão de capturar sinergias e alinhar duas culturas corporativas distintas. Não ficou nem 120 dias no cargo. A saída, ocorrida ainda em agosto, foi atribuída a divergências internas e ao ambiente de tensão entre as lideranças. Teve peso simbólico: o executivo responsável pela integração foi o primeiro a sair quando o processo começou, de fato, a ser implementado.
Na sequência, deixaram a companhia os fundadores da Reserva. Rony Meisler e seus sócios Fernando Sigal, Jayme Nigri Moszkowicz e José Alberto da Silva não ocupavam apenas cargos executivos, mas tinham papel central na construção cultural e estratégica da marca.
O movimento se estendeu à operação. Em 2025, Thiago Hering, líder da marca adquirida pelo Soma em 2021 e então CEO da unidade Basic, também deixou o grupo. Pouco depois, foi a vez de Luciana Wodzik, CEO da vertical de calçados — considerada o coração histórico da empresa.
Para completar a sequência, Rafael Sachete, executivo com cerca de 20 anos de trajetória na Arezzo&Co, deixou o Azzas. Ele havia sido CFO do grupo até agosto do ano passado, quando assumiu a liderança da vertical de shoes & bags após a saída de Wodzik.
Procurada, o Azzas 2154 não comentou e disse que as informações estavam fato relevante divulgado pela companhia.
No documento, o Azzas “informa que foi surpreendida pela existência de pedido judicial do acionista Roberto Jatahy referente a gestão da unidade de moda masculina da companhia, que nos termos do estatuto social, compete ao CEO da Companhia decidir.
Ainda de acordo com o fato relevante, ‘trata-se de assunto também regulado em Acordo de Acionistas da Companhia, e não se esperam repercussões para a operação da companhia. A Companhia buscará acesso às informações pertinentes relacionadas à referida ação e tomará medidas que sejam aplicáveis”.
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Fonte: Neo Feed












