Bloomberg Línea — O Brasil demonstrou interesse em adquirir 20 caças Gripen E e F adicionais da fabricante sueca de defesa Saab, em um movimento que pode ampliar a parceria entre os dois países na área de defesa e elevar de 36 para 56 o número de aeronaves previstas no programa brasileiro.
A informação consta de uma declaração conjunta divulgada nesta quinta-feira (4), após um encontro em Estocolmo entre o ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro Filho, e o ministro da Defesa da Suécia, Pål Jonson.
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A negociação ocorre em meio a restrições no orçamento brasileiro de 2026. O Ministério da Defesa foi a pasta mais afetada pelo bloqueio adicional de despesas anunciado pelo governo federal, com R$ 4,36 bilhões temporariamente indisponíveis.
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Em segundo lugar, o Ministério das Cidades foi o mais afetado, com R$ 3,32 bilhões temporariamente bloqueados. Os ministérios devem anunciar até 8 de junho quais programas sofrerão bloqueios.
Novo centro de pesquisa
O Brasil e a Suécia também avançaram nas discussões para aprofundar a cooperação tecnológica relacionada ao Gripen.
Na terça-feira (2), a Saab e a Força Aérea Brasileira (FAB) assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para a realização de estudos e análises conjuntas sobre o possível estabelecimento de um Centro de Inovação e Pesquisa no Brasil, segundo nota divulgada pela empresa.
O centro seria dedicado ao desenvolvimento e à prospecção de novos sistemas e equipamentos aplicáveis à operação, à manutenção e à modernização das aeronaves Gripen.
Nesta quinta-feira (4), o ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro Filho, disse que o centro também deverá se debruçar sobre aplicações de IA no setor.
A iniciativa também tem como objetivo ampliar as capacidades tecnológicas brasileiras e apoiar a formação de profissionais qualificados.
As tratativas entre a Saab e a FAB serão conduzidas no âmbito do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), órgão do Comando da Aeronáutica responsável por ações de ciência, tecnologia e inovação.
Os próximos passos envolvem a realização dos estudos e análises previstos no memorando, seguida pela avaliação dos resultados para definir como avançar em direção a um acordo formal.
Questionado pela Bloomberg Línea durante entrevista a jornalistas em Linköping, na Suécia, sobre a importância do Brasil para a companhia, Johansson afirmou que a Saab pretende ampliar sua capacidade produtiva tanto na Suécia quanto no mercado brasileiro.
Novo caça Gripen F da Saab reforça programa de transferência tecnológica para o Brasil(Divulgação)
“O Brasil é um país prioritário para nós no mercado da América Latina e realmente concentramos nossa atenção nele. É claro que temos a ambição de ampliar a participação da região na receita da Saab como companhia”, disse Johansson.
Segundo o executivo, a operação brasileira não deverá focar apenas no Gripen. A empresa também produz radares, sistemas de mísseis, comando e controle, treinamento, soluções subaquáticas, e tecnologia de guerra eletrônica.
“Como estamos estabelecidos no Brasil e temos uma parceria industrial tão relevante, é claro que faz sentido buscar outros negócios”, disse Johansson.
A operação brasileira, segundo o CEO da Saab, deverá participar da produção relacionada ao contrato colombiano e poderá atender a outros mercados internacionais – além da Colômbia, a Tailândia também encomendou o caça.
Na semana passada, Suécia e Ucrânia informaram que avançaram nas negociações para que Kiev adquira um lote inicial de até 20 caças Gripen E/F, enquanto o governo sueco pretende doar até 16 aeronaves Gripen C/D às forças ucranianas se a compra das aeronaves for concretizada.
Parceria Brasil-Suécia
O contrato original entre o governo brasileiro e a Saab foi assinado em outubro de 2014 e prevê o desenvolvimento e a produção de 36 caças Gripen E/F para a FAB, sendo 28 unidades da versão monoposto Gripen E e oito da versão biposto Gripen F. O acordo foi avaliado em aproximadamente 39,3 bilhões de coroas suecas.
As entregas começaram em 2020, e 11 aeronaves foram entregues à FAB, segundo a Saab.
Diferentemente de programas tradicionais de aquisição militar, o acordo incluiu um amplo pacote de transferência de tecnologia e a participação da indústria brasileira. Engenheiros da Embraer e de outras empresas nacionais participaram diretamente do desenvolvimento da versão biposto Gripen F.
Na terça-feira, a Saab apresentou em Linköping o primeiro Gripen F-39F destinado à FAB. A aeronave mantém as capacidades operacionais do Gripen E, mas incorpora um segundo cockpit, que pode ser utilizado para treinamento e missões mais complexas.
Em entrevista à Bloomberg Línea um dia antes da apresentação do Gripen F na Suécia, Peter Dölling, presidente da Saab Brasil, afirmou que os componentes produzidos no país já abastecem a linha global do Gripen, independentemente do cliente final.
“A fuselagem traseira, a fuselagem dianteira, os freios aerodinâmicos e o cone de cauda vão para todos os clientes”, disse.
De acordo com o executivo, a operação brasileira alcançou níveis de qualidade e produtividade equivalentes aos da unidade sueca, o que poderá favorecer a transferência de novas etapas produtivas para o país à medida que a demanda internacional avançar.
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