Vai viajar ao exterior? ETFs e outros ativos que pagam juros em dólar ajudam no planejamento

Para quem pretende viajar ao exterior nos próximos meses, o momento voltou a ficar favorável para a compra do dólar, que caiu de novo para a casa de R$ 5,15, o menor nível em quase dois anos. A moeda americana tem oscilado com força nas últimas semanas diante da Guerra do Irã.

Declarações de Donald Trump de que o conflito pode se estender menos que o esperado têm levado investidores a retomar a atenção a fundamentos. A janela para diversificação internacional voltou a reabrir, mas, como continua muito sensível ao noticiário, pode fechar rapidamente de novo.

De qualquer modo, quem tem de juntar recursos em moeda forte para viajar nos próximos meses pode aproveitar esses momentos de alívio antes de um novo repique.

O turista tem alternativas que vão muito além da compra da moeda física ou em carteiras digitais – as wallets. Há diferentes produtos – de ETFs (fundos passivos de índice) a BDRs de ETFs e mesmo renda fixa em dólar – que podem ser usados para montar uma reserva de viagem.

A melhor estratégia é aplicar regularmente os recursos em produtos que tragam exposição à moeda americana e que tenham alta liquidez.

O ETF USDB11, da Investo, por exemplo, segue um índice com títulos do mercado de renda fixa americana de melhor qualidade (grau de investimento) e prazos intermediários.

O investidor pode ainda aplicar em ETFs do exterior fazendo a aplicação na bolsa brasileira, por meio dos BDRs. Os Brazilian Depositary Receipts são recibos que representam cotas de fundos de índice internacionais. Por meio deles, é possível investir em ETFs de fora, mas na própria plataforma da bolsa brasileira e em reais.

A gestora BlackRock, por exemplo, disponibiliza BDRs de ETFs de renda fixa americana no Brasil. Entre eles estão o BGOV39, que segue o iShares US Treasury Bond ETF, focado em títulos do Tesouro americano com prazos variados; o BSHV39, que replica um índice de títulos do Tesouro americano de curto prazo; e o BLQD39, de títulos corporativos de empresas com grau de investimento.

Investir diretamente lá fora é opção

Outra maneira de montar sua reserva de viagem em dólar é investir diretamente em títulos de renda fixa de curto prazo emitidos pelo governo americano, as T-bills. São papéis com vencimentos entre 4 e 52 semanas, com alta liquidez no mercado secundário, o que permite ao investidor vendê-los rapidamente antes do vencimento se precisar do dinheiro.

Os americanos usam as T-Bills da mesma forma como os brasileiros usam o Tesouro Selic. É nesses papéis, cujas taxas variam hoje entre 3,5% e 3,7% ao ano, que os americanos montam suas reservas de emergência. Eles não são pós-fixados, como os nossos.

Mas, por serem prefixados de prazo curtíssimo, tais ativos tendem a fazer com que o saldo suba constantemente. Esse tipo de aplicação pode ser acessada pelos brasileiros por meio de plataformas de contas globais de empresas como Avenue, Wise e Nomad, entre outras.

ETFs estrangeiros facilitam investimento em dólar

Da mesma forma que é possível investir diretamente nas T-bils por meio de contas globais de investimentos, há a alternativa de ETFs internacionais.

Alguns ETFs de títulos públicos americanos de curto prazo, por exemplo, mantêm uma carteira com até 80% de alocação em papéis do Tesouro dos EUA com prazos de até 3 meses.

O ETF VBILL, da Vanguard, por exemplo, tem hoje um retorno em 12 meses de 3,54%. Outro fundo, TBLL, da Invesco, nos últimos 12 meses teve rentabilidade de 4,5%.

Existem outros ETFs de títulos curtos do Tesouro americano. Os dois com maior liquidez – facilidade de negociação – além do VBILL são o SPDR Bloomberg 1-3 Month T-Bill ETF e o iShares 0-3 Month Treasury Bond ETF. As cotas desses ETFs têm sido negociadas por preços entre US$ 75 e US$ 100.

Os Estados Unidos também têm um produto equivalente ao fundo DI no Brasil. No mercado americano esse é o papel do chamado money market. O nome diz tudo: aplicações nesses fundos são consideradas como equivalente a dinheiro em caixa na contabilidade de empresas e instituições.

A remuneração desses produtos segue de perto as taxas de curto prazo definidas pelo banco central americano, o Federal Reserve. Em fevereiro de 2026, estavam em torno de 4,01% ao ano em dólar. O investimento mínimo é de US$ 1 mil.

Outra vantagem de investir para viajar

Essa aplicação em dólar pode trazer um benefício extra: compensar parte da volatilidade ao longo dos meses. Aqui é preciso fazer uma conta para explicar.

Um retorno de 4% ao ano bruto equivale a cerca de 0,33% ao mês. Então, se o dólar recuar 0,33% frente ao real em um mês, o ganho, basicamente, vai zerar essa diferença. Ou, eventualmente, suavizar essa queda.

Por outro lado, qualquer valorização da moeda americana vai se somar ao ganho mensal. Se a divisa dos EUA subir, digamos, 0,5% no mês, significa que sua reserva valorizou 0,88% em reais no período.

E porque o câmbio médio? É uma forma de fazer um “seguro” contra a volatilidade. Se o dólar subir, você vai ter comprado a moeda por um preço médio menor do que esperar até a véspera de embarcar para comprar tudo de uma vez.

Caso a moeda americana recue ainda mais, o preço médio, na prática, reduz a diferença entre o maior e o menor valor no período. Além disso, os juros da aplicação vão atenuar ou até mesmo compensar essa oscilação.

Câmbio pode mudar a qualquer momento

Esperar para comprar tudo de uma vez é uma aposta muito arriscada. A volatilidade pode voltar com força – e de repente – por vários motivos. Esses fatores vão desde incertezas eleitorais, a fatores geopolíticos e até mesmo alguma supresa na política monetária dos EUA e do Brasil.

A boa notícia: a fraqueza do dólar ainda é estrutural, ou seja, vem de fatores que tendem a se manter presentes, pelo menos, ao longo do semestre. No entanto, como não dá para prever o comportamento do câmbio, então vale a pena aproveitar a janela atual mais favorável que pode fechar a qualquer momento.

“O período eleitoral, por exemplo, pode introduzir maior volatilidade ao longo do segundo semestre”, ressalta Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

E só para relembrar, a guerra no Irã ainda em andamento tem feito o dólar oscilar com força. Momentos como os da última semana, quando o dólar chegou a tocar os R$ 5,30, podem se tornar mais frequentes daqui para a frente.

Quer outro exemplo? No fim de 2024, as preocupações com a situação fiscal no Brasil pressionaram o real e levaram a cotação da moeda americana a mais de R$ 6,20. E esse cenário de trajetória de alta do endividamento púbico mudou pouco de lá para cá.

O próprio mercado vê o dólar na casa de R$ 5,41 no fim de 2026, segundo a pesquisa Focus, do BC, que faz um levantamento semanal das projeções de analistas e economistas de instituições financeiras.

Fonte: Invest News

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