Um raro olhar sobre a repressão do regime iraniano

Um massacre sem precedentes está a acontecer no Irão, à porta fechada. Quando os protestos em massa eclodiram em todo o país, de 8 a 11 de Janeiro, a República Islâmica respondeu com uma repressão indiscriminada e invulgarmente brutal.

De acordo com os últimos dados agregados da Agência de Notícias dos Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA), o número total de mortos confirmados ligados aos protestos atingiu 5.848. Entre estes, 5.520 eram manifestantes, 77 eram crianças menores de 18 anos, 209 eram membros de forças afiliadas ao governo e 42 eram não-manifestantes ou civis. Além disso, 17.091 mortes ainda estavam em investigação.

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A narrativa oficial do regime, alegando que as mortes foram obra de mercenários que operavam em nome dos inimigos do Irão, especialmente Israel e os EUA, não conseguiu convencer ninguém além dos seus apoiantes mais leais.

A internet continua cortada em todo o país. As notícias do Irã só são divulgadas por meio das conexões mais raras possibilitadas pelo Starlink e pelos esforços incansáveis ​​de usuários experientes que, VPN após VPN, tentaram contornar o mais longo apagão digital já imposto no Irã.

Completamente desfigurado

Neste contexto, as fotografias publicadas na segunda-feira, 26 de janeiro, pela O mundo, que mostram o funeral de um iraniano morto em 9 de Janeiro pelos Bassidjis – a milícia religiosa do regime – têm um significado excepcional. Foram enviadas por um fotógrafo iraniano que pediu anonimato por medo de represálias.

Mohammad Mozafari, de 39 anos, foi morto a tiros na sexta-feira, 9 de janeiro, no distrito de Shahin Vila, em Karaj, uma cidade a oeste de Teerã. “Mohammad costumava ir a protestos”, disse um dos seus familiares. Casado e pai de dois filhos, de 3 e 5 anos, a família só conseguiu identificá-lo cinco dias depois. Ele estava completamente desfigurado.

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Fonte: Le Monde

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