De todos os recordes que Donald Trump afirma estar a quebrar, há um que ele pode reivindicar legitimamente: o do discurso do Estado da União mais longo da história na televisão, com uma hora e 47 minutos. As mãos dos legisladores republicanos estavam vermelhas de aplaudir o presidente americano na terça-feira, 24 de fevereiro, quando ele iniciou sua rotina clássica: uma mistura de autocongratulação e ataques ferozes contra os democratas. O divisor-chefe demorou, apreciou o seu desempenho e orquestrou um confronto, menos de nove meses antes das eleições intercalares.
Trump começou por pintar um quadro brilhante do país desde o seu regresso à Casa Branca. Ele destacou o fechamento total da fronteira com o México, a queda da inflação e a redução dos preços do gás. “Esta noite, depois de apenas um ano, posso dizer com dignidade e orgulho que alcançamos uma transformação como ninguém jamais viu antes e uma reviravolta para sempre. (…) E nunca mais voltaremos para onde estávamos há muito pouco tempo.” A visão caricaturada apresentada pelo republicano – não só na noite de terça-feira, mas todos os dias da semana, em todos os microfones – é a de um país que estava “morto” sob Joe Biden, o seu antecessor, e agora se transformou no “país mais quente” sob a sua liderança.
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Fonte: Le Monde












