O presidente Donald Trump enviou nesta quarta-feira (4) ao Senado dos EUA a indicação de Kevin Warsh, para ser o próximo presidente do banco central americano, o Federal Reserve. Este marca um primeiro passo no que promete ser um caminho rumo ao seu objetivo de longa data de nomear um chairman do Fed favorável a cortes nas taxas de juros.
Warsh, que deverá substituir Jerome Powell após o término de seu mandato em 15 de maio, cumpriria um mandato de quatro anos a partir de 1º de fevereiro, de acordo com um comunicado no site da Casa Branca. Essa é a vaga atualmente ocupada pelo membro do Conselho de Governadores do Fed, Stephen Miran, outro defensor do corte de juros indicado por Trump em setembro.
Donald Trump havia informado que faria a indicação de Warsh no fim de janeiro. A chegada de Warsh, em caso de aprovação pelo Senado, marca o retorno de um nome que conhece o coração do sistema financeiro americano, e que passou os últimos anos se posicionando como um de seus críticos mais duros.
Ex-diretor do banco central, Warsh construiu sua reputação nos bastidores da crise financeira de 2008 e, desde então, tornou-se uma voz influente no debate sobre os limites e excessos da política monetária dos EUA.
Warsh integrou o Conselho de Governadores do Fed entre 2006 e 2011, período que incluiu o colapso do Lehman Brothers, os resgates ao sistema bancário e o início das políticas não convencionais de estímulo. Atuou diretamente nas negociações entre o Tesouro, o banco central e grandes instituições financeiras, sendo visto como um operador técnico, com trânsito tanto em Washington quanto em Wall Street.
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Após deixar o cargo, manteve proximidade com círculos financeiros e acadêmicos, além de ocupar posições em conselhos corporativos e think tanks.
Nos últimos anos, porém, sua postura pública mudou de tom. Warsh passou a criticar de forma recorrente o tamanho do balanço do Fed e o prolongamento de políticas ultraexpansionistas. Por esse motivo, é defensor do que se chama de aperto quantitativo.
Em discursos e entrevistas, defendeu o que chama de “mudança de regime” na autoridade monetária, uma revisão do arcabouço que orienta decisões de juros, comunicação e atuação em mercados. Para ele, parte dos problemas atuais, incluindo distorções de preços de ativos e perda de credibilidade, seria “autoinfligida” pelo próprio banco central.
Essa visão o coloca em uma posição curiosa dentro do debate econômico. De um lado, Warsh defende juros mais baixos no curto prazo, alinhando-se ao discurso político dominante na Casa Branca. De outro, é um crítico da expansão contínua do balanço do Fed e da tentativa de suprimir artificialmente os juros de longo prazo.
Fonte: Info Money













