Tratamento inovador para pacientes com mielofibrose e anemia é incluído na lista de coberturas obrigatórias dos planos de saúde

Parecer da ANS beneficia brasileiros que vivem com tipo raro de câncer no sangue

Uma decisão da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) torna obrigatória a cobertura, por parte dos planos de saúde, de um novo medicamento para tratar pacientes com mielofibrose e anemia. A doença é um tipo de câncer sanguíneo raro e que tem a anemia como uma das complicações mais sérias.

A deliberação aconteceu após a Consulta Pública nº 163/2025, convocada em novembro do ano passado com o objetivo de ampliar a participação social e técnica na avaliação da incorporação da tecnologia. A terapia atua na melhora da anemia e, consequentemente, na diminuição da necessidade de transfusões sanguíneas, proporcionando uma abordagem abrangente e eficaz para o manejo da doença.

O desafio clínico da mielofibrose

A mielofibrose é uma neoplasia mieloproliferativa crônica caracterizada por um microambiente medular inflamatório e fibrótico, frequentemente associado a mutações nos genes JAK2, CALR ou MPL. Para o Dr. Renato Tavares (CRM 6538-GO), hematologista e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), a doença apresenta um “curso indolente e lento”, o que muitas vezes retarda o diagnóstico. “Na maioria das vezes, ela é acompanhada de muita fraqueza e alterações no hemograma, especialmente a anemia, que tende a progredir ao longo do tempo”, explica o especialista.

Dados epidemiológicos indicam que a anemia é onipresente na jornada do paciente: cerca de 44% já apresentam o quadro no momento do diagnóstico, e quase 100% a desenvolverão com a progressão da doença. Historicamente, a anemia tem sido o principal fator de mau prognóstico, com a dependência transfusional reduzindo drasticamente a sobrevida global e elevando o risco de complicações.

Inovação tecnológica: o duplo mecanismo de ação

A inovação da terapia reside em sua farmacodinâmica. O medicamento atua como um inibidor oral de JAK1, JAK2 e, crucialmente, do receptor de activina A tipo 1 (ACVR1).

A inibição do ACVR1 reduz os níveis de hepcidina, proteína que, quando elevada pela inflamação crônica característica da mielofibrose, sequestra o ferro e inibe a eritropoiese.
“Essa tecnologia atende um nicho que estava desassistido. Ela vai além do controle de sintomas, atuando diretamente na melhora da anemia e na retirada do paciente da dependência de transfusões”, destaca o Dr. Renato Tavares6,9.

Para a comunidade médica, a disponibilidade deste tratamento nos planos de saúde permite uma abordagem mais agressiva contra a anemia sem comprometer o controle da doença. De acordo com o Dr. Renato, o impacto na qualidade de vida é transformador:
“O paciente que chega muito fraco, ao ser tratado, sente como se estivesse renascendo, recuperando a capacidade de realizar atividades básicas do dia a dia”.

Sobre a GSK

A GSK é uma biofarmacêutica multinacional, presente em mais de 75 países, que tem como propósito unir ciência, tecnologia e talento para vencer as doenças e impactar a saúde global. A companhia pesquisa, desenvolve e fabrica vacinas e medicamentos especializados nas áreas de Doenças Infecciosas, HIV, Oncologia e Respiratória/Imunologia. No Brasil, a GSK é líder nas áreas de HIV e Respiratória e uma das empresas líderes em Vacinas. Para mais informações, visite www.gsk.com.br.

Material dirigido ao público em geral. Por favor, consulte o seu médico.

NP-BR-MML-BRF-260001 – Março de 2026


Referências Bibliográficas Citadas

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Fonte: Saúde Business

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