Menos de uma semana depois de atingir a maior taxa desde que começou a ser comercializado no Tesouro Direto, o título público prefixado com vencimento em 2032 se aproxima de novo desse marca, ultrapassando a marca psicológica de 14% ao ano.
O Tesouro Prefixado 2032 atingiu nesta manhã de quinta-feira (19) uma taxa de 14,18% ao ano, bem perto dos 14,25% vistos na sexta-feira, dia 13, quando a elevada volatilidade deflagrou a maior intervenção do Tesouro Nacional no mercado de papéis públicos.
Por volta de 10h, o Tesouro Direto voltou a acionar o “circuit breaker“, uma pausa nas negociações quando a volatilidade aumenta muito.
O órgão realizou ao longo de três dias vários leilões de recompras de papéis prefixados e atrelados à inflação, a NTN-Bs, que são também conhecidas como IPCA+. No total, o Tesouro injetou R$ 49,3 bilhões no mercado para normalizar as negociações.
As taxas dispararam na semana passada devido a escalada dos preços do petróleo, que alimentou temores sobre a volta da inflação global. Como em fevereiro, os papéis negociavam nas mínimas do ano, houve um movimento de venda em massa que tornou o mercado disfuncional.
Gestores afirmaram que, entre quinta-feira (12) e sexta-feira (13), houve um princípio de pânico no mercado, que levou à onda de vendas de títulos prefixados e atrelados à inflação. Segundo especialistas, a atuação rápida e muito forte do Tesouro trouxe as operações de volta aos trilhos.
Nesta quinta-feira, porém, as taxas voltam a ficar pressionadas. O Tesouro Prefixado 2032 voltou a subir acima dos 14%. O Tesouro IPCA+ 2032 passou de 7,72% na véspera para 7,81% hoje.
O Tesouro IPCA+ 2050, papel mais longo indexado à inflação oferecido pela plataforma, voltou a superar os 7% ao ano, agora com juro real (acima da inflação) de 7,02%.
No Tesouro Direto, taxas mais altas significam que o valor dos papéis está em queda. Com isso, o investidor que tem esses títulos na carteira enxerga seu saldo em reais diminuindo.
Essa percepção de prejuízo pode levar os investidores a querem se desfazer dos papéis temendo novas perdas. Mas é sempre bom lembrar que o prejuízo só ocorre se o detentor efetivamente vender o título nas condições de mercado mais adversas.
Quem levar o título até o vencimento vai receber exatamente o que foi contratado quando o adquiriu. Por isso, nos momentos de maior elevação de taxas, há uma oportunidade de “travar” retornos altos por vários anos.
Em momento de alta volatilidade, que atinge de maneira mais acentuada os títulos com prazos mais longos, o melhor a fazer é evitar entrar em ondas de vendas.
A oscilação acentuada de taxas e preços é o efeito da marcação a mercado, ou seja, da variação dos preços do ativo conforme as condições do momento.
O que explica esta volatilidade?
E o que tem levado a esse aumento de volatilidade? O mercado tem sido muito afetado pela guerra no Oriente Médio. Com os preços do petróleo e de vários insumos em alta, os investidores passaram a temer uma aceleração inflacionária que leve os banco centrais a mudarem as orientações dos juros.
Na quarta-feira, o Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) manteve as taxas na faixa entre 3,50% e 3,75%, mas mencionou o conflito como uma grande incerteza no horizonte. O presidente do Fed, Jerome Powell, deixou claro que os rumos dos juros americanos vão depender do desenvolvimento da guerra e da duração do impacto dos choques sobre a inflação.
O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou ontem a Selic em 0,25 ponto percentual, mas também condicionou as decisões futuras à evolução da guerra. Se o choque for algo mais pontual e transitório, o BC pode voltar a adotar um ritmo mais acelerado de cortes. No entanto, se o pior cenário prevalecer, ou seja, de um conflito mais longo com preços da energia elevados por mais tempo, o ciclo de reduções da taxa básica pode até entrar em pausa.
Fonte: Invest News













