Um cargueiro 100% movido a vento, capaz de reduzir drasticamente as emissões de carbono e ainda entregar mais rápido que o transporte marítimo convencional, deve cruzar o Atlântico a partir de 2027.
A francesa Vela, startup de “logística verde”, está construindo um trimarã de 67 metros de comprimento e 25 metros de largura, que poderá transportar pouco mais de 400 toneladas de carga entre a costa leste dos Estados Unidos e portos da França.
O navio terá três cascos e será impulsionado por velas que chegam a 61 metros acima da linha d’água. A energia elétrica para áreas de convivência, operação e para porões climatizados virá de painéis solares e dois geradores hidroelétricos.
Segundo a Vela, a embarcação navegará em média a 14 nós — velocidade comparável à de navios porta-contêineres modernos —, mas com uma proposta de serviço “híbrida”: mais rápida que o frete marítimo tradicional, mais lenta que o aéreo, e com emissões muito menores que ambos.
Um estudo de ciclo de vida feito pela Vela em parceria com a consultoria Carbone 4 estima que a travessia pelo Atlântico Norte poderá emitir até 96% menos CO₂ do que um navio convencional e até 99% menos do que o transporte aéreo.
A empresa mira clientes que hoje dependem de aviões para transportar produtos de alto valor agregado — como fármacos, cosméticos de luxo, moda e alimentos premium — e que procuram alternativas com menor impacto climático sem abrir mão de controle de temperatura e integridade da carga. A japonesa Takeda, gigante farmacêutica, já assinou acordo de transporte com a Vela, segundo a CNN Internacional.
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A Vela também promete ganho de tempo em relação ao frete marítimo tradicional ao repensar toda a logística: o navio leva cerca de 100 vezes menos carga que um porta-contêiner padrão, o que encurta as janelas de carga e descarga e permite operar em terminais secundários, menos congestionados.
Além disso, a rota será direta entre EUA e França, sem múltiplas escalas para encher o navio, o que tende a reduzir atrasos. Com isso, a startup calcula que consegue carregar, atravessar o Atlântico e descarregar em cerca de 15 dias — até duas vezes mais rápido na rota EUA–Europa do que o oceânico tradicional, ficando apenas uma semana mais lenta que o transporte aéreo.
Fonte: Info Money












