A Starbucks apresentou resultados trimestrais mistos, mas reforçou os sinais de que o plano de recuperação liderado pelo presidente Brian Niccol começa a ganhar tração. A maior rede de cafeterias do mundo registrou crescimento nas vendas em lojas já existentes em todas as regiões no trimestre encerrado em 28 de dezembro, marcando o segundo período consecutivo de avanço após uma longa fase de retração.
As vendas globais em mesmas lojas cresceram 4%, superando inclusive as projeções mais otimistas dos analistas. Nos Estados Unidos, mais clientes fazendo pedidos impulsionaram um avanço de 4% nas vendas comparáveis — o desempenho mais forte desde o fim de 2023. O tráfego aumentou 3%, a primeira expansão no número de transações em dois anos, com crescimento tanto entre membros do programa de fidelidade quanto entre clientes não cadastrados.
“O que estamos vendo confirma que nossas estratégias estão funcionando e avançando mais rápido do que o previsto”, afirmou Niccol, destacando a melhora na frequência dos consumidores. A receita da companhia subiu 6%, para US$ 9,9 bilhões, um crescimento acima do esperado por Wall Street.
O desempenho foi impulsionado pela forte adesão ao cardápio sazonal de fim de ano, que inclui bebidas natalinas e ações promocionais como o Red Cup Day — evento anual em que a Starbucks distribui copos vermelhos reutilizáveis em edição limitada a clientes que compram determinadas bebidas, estimulando o aumento do fluxo nas lojas. Também contribuiu para o resultado o lançamento do copo colecionável “Bearista”, que se tornou um sucesso viral entre consumidores e ajudou a elevar as visitas e as vendas no período.
Nos Estados Unidos, principal mercado da empresa, Niccol também atribuiu o avanço ao programa “Green Apron Service”, que busca elevar os padrões de hospitalidade e eficiência dentro das lojas. No mercado internacional, as vendas em mesmas lojas cresceram 5%, com destaque para a China, onde o crescimento foi de 7%. A Starbucks anunciou no período um acordo para vender uma participação majoritária de seu negócio no país a uma gestora de private equity chinesa, movimento que visa fortalecer a operação local e acelerar a expansão.
Apesar do avanço nas vendas, a rentabilidade foi fortemente pressionada. O lucro líquido do primeiro trimestre fiscal despencou 62%, para US$ 293,3 milhões, impactado por investimentos elevados na força de trabalho e na modernização das cafeterias, além do aumento no custo do café e das tarifas de importação. O lucro ajustado por ação ficou abaixo das expectativas dos analistas, marcando o sexto trimestre consecutivo de queda em ritmo de dois dígitos.
Ainda assim, a Starbucks divulgou seu primeiro guidance completo desde outubro de 2024. Para o ano fiscal de 2026, a companhia projeta crescimento de pelo menos 3% nas vendas em mesmas lojas e na receita global, além de lucro ajustado por ação entre US$ 2,15 e US$ 2,40. A empresa também planeja ampliar sua base de lojas em 600 a 650 unidades líquidas, após ter fechado cerca de 400 cafeterias nos EUA no ano passado.
Recuperação
O mercado reagiu de forma positiva às perspectivas: as ações da Starbucks subiram cerca de 9% no pré-mercado em Nova York. Desde que Niccol assumiu o comando, há cerca de 16 meses, os papéis acumulam alta de aproximadamente 5%, embora ainda abaixo do desempenho do S&P 500 no período.
A estratégia de recuperação envolve investimentos de centenas de milhões de dólares para tornar as lojas mais acolhedoras, melhorar o atendimento e reduzir a complexidade do cardápio. Ao mesmo tempo, a empresa enfrenta concorrência crescente de redes focadas em pedidos para viagem, que avançam rapidamente nos Estados Unidos. Como parte do ajuste, Niccol fechou centenas de lojas, cortou cargos corporativos e reformulou a cúpula executiva.
Analistas avaliam que o plano começa a dar resultados claros no topo da demonstração financeira, mas alertam que a Starbucks precisará sustentar o crescimento do tráfego ao longo de 2026 para compensar os custos elevados e recuperar a lucratividade no médio prazo.
Fonte: Invest News











