Empoleirada no topo da rua estreita, a caixa de correio estava suja de terra seca. Na cozinha da pequena casa encravada entre a montanha e os edifícios vizinhos, os sinais da vida quotidiana estavam suspensos no tempo: garrafas de água das crianças ainda meio cheias, massa a apodrecer num Tupperware aberto. No banheiro, um roupão pendurado na parede, o penico das crianças deitado de lado. E por toda parte – nos móveis, no colchão e escorrendo pelas janelas – vestígios de lama serviam como um lembrete do clima violento que varreu aqui no dia 2 de fevereiro.
Naquele dia, nas colinas acima de Saponara, no nordeste da Sicília, o céu soltou 140 milímetros de chuva em apenas quatro horas. A água corria pelas ruas, transformando-as em torrentes de lama, derramando-se pelas portas. “Aconteceu tudo de uma vez, não previmos. Então pegamos os dois filhos mais novos e fomos para a casa ao lado”, lembra Nino Aksoy, um alemão de 35 anos que se mudou para cá com seu companheiro e seus cinco filhos para trabalhar em uma churrasqueira. “Mas sobrevivemos, não perdemos ninguém. Isso é o que importa mesmo, não é?” Sua família, como outras 11 pessoas, teve que ser realocada.
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Fonte: Le Monde












