Em abril de 2024, a revista científica Nature publicou um estudo segundo o qual as mudanças climáticas causariam danos econômicos muito maiores até o fim do século do que estimativas anteriores sugeriam. A conclusão ganhou manchetes e repercussão global e foi incorporada a cenários de gestão de risco usados por bancos centrais.
Na última quarta-feira (3), a Nature retratou o estudo.
A decisão veio após um grupo de economistas identificar problemas nos dados referentes a um país, o Uzbequistão, que distorciam de forma significativa os resultados. Sem o Uzbequistão, concluíram, os danos se alinham ao que pesquisas anteriores indicavam. Em vez de queda de 62% no PIB global até 2100 em um cenário de emissões inalteradas, a redução seria de 23%.
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Ainda assim, eliminar mais de 20% da atividade econômica mundial seria um choque severo. Críticos do estudo ressaltam que a mudança climática permanece uma ameaça relevante e que é necessário avançar nas medidas de enfrentamento. Mas afirmam que resultados atípicos devem ser tratados com ceticismo.
O estudo foi liderado por Leonie Wenz, economista do Instituto Potsdam de Pesquisa sobre o Impacto Climático, na Alemanha, e por Maximilian Kotz, então pesquisador de pós-doutorado na instituição. A equipe desenvolveu técnicas inéditas para captar de forma mais abrangente as consequências econômicas do aquecimento global.
Eles usaram um conjunto de dados elaborado ao longo de anos, com informações sobre condições econômicas em áreas menores que países, como estados e províncias. Incorporaram diferentes variáveis climáticas, como volume de chuvas e ondas de calor, e não apenas temperaturas médias. Também consideraram efeitos de eventos climáticos extremos ao longo de uma década, em vez de assumir que desapareciam rapidamente.
“Queríamos entender por quanto tempo conseguimos observar esses impactos nos dados”, disse Wenz. “Isso levou a magnitudes de dano maiores em comparação àquelas de trabalhos que não consideravam esses efeitos persistentes.”
Isso também gerou um contraste evidente com os custos de evitar um aquecimento catastrófico. Os danos já contratados para os próximos 25 anos custariam seis vezes mais do que o necessário para reduzir emissões e limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius, meta do Acordo de Paris.
Em resposta às críticas, Kotz e Wenz fizeram correções que, segundo eles, alteraram os resultados apenas de forma modesta, com uma faixa de incerteza um pouco maior e impacto econômico ligeiramente menor até o fim do século.
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Eles planejam revisar o estudo e submetê-lo novamente.
Fonte: Info Money













