Peru declara estado de emergência devido ao esperado aumento de migrantes chilenos

O governo do Peru declarou estado de emergência na fronteira sul com o Chile na sexta-feira, esperando um influxo de pessoas que tentam fugir da potencial presidência do candidato de extrema direita José Antonio Kast. Segundo o decreto, os militares do Peru reforçarão o controlo fronteiriço na região sul de Tacna durante 60 dias, após a segunda volta das eleições chilenas de 14 de Dezembro, nas quais Kast, linha dura da imigração, enfrenta a candidata de esquerda Jeannette Jara.

O estado de emergência servirá também “para fazer face à criminalidade e outras situações de violência” na zona fronteiriça. “A Polícia Nacional Peruana manterá o controle da ordem interna, com o apoio das Forças Armadas”, segundo o despacho. O presidente do Peru, José Jeri, havia anunciado na sexta-feira que tal ação era iminente, depois que dezenas de migrantes ficaram presos na fronteira entre o Chile e o Peru.

Um vídeo publicado pelo governador chileno da região fronteiriça de Arica, cerca de 2.200 quilómetros (1.370 milhas) ao norte de Santiago, mostrou dezenas de pessoas tentando sair do Chile na passagem fronteiriça de Chacalluta-Santa Rosa. Um migrante venezuelano disse ao meio de comunicação online The Clinic que o grupo estava tentando deixar o Chile “por medo de que nos removessem à força” caso Kast se tornasse o próximo presidente. “Eles não querem nos deixar entrar no Peru”, disse o migrante, que preferiu permanecer anônimo. A estação peruana Rádio Tacna transmitiu imagens de migrantes transportando crianças na estrada perto da fronteira.

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‘103 dias restantes’

O Peru é tanto uma fonte como um país de trânsito para migrantes que fogem de outras partes da América Latina para o Chile, uma das nações mais prósperas e estáveis ​​da região. A tendência inversa da migração ocorre pouco mais de duas semanas antes do segundo turno presidencial chileno, no qual Kast é o favorito para vencer.

Kast, um ex-deputado de 59 anos na sua terceira candidatura à presidência, deu aos cerca de 330 mil migrantes indocumentados do país um ultimato para se auto-deportarem ou serão expulsos e perderão tudo se assumirem o cargo. Ele culpa a migração indocumentada pelo aumento do crime violento na última década. “Aos imigrantes indocumentados no Chile, digo que restam 103 dias para deixar nosso país voluntariamente”, disse Kast em um vídeo postado na sexta-feira em suas redes sociais. Ele se referia ao dia 11 de março, data em que o sucessor do presidente cessante de centro-esquerda, Gabriel Boric, tomou posse.

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O ministro das Relações Exteriores do Peru, Hugo de Zela, disse em entrevista coletiva na noite de sexta-feira que a questão será abordada por meio de um “comitê binacional de cooperação migratória” a partir da próxima semana. No entanto, sublinhou que o Peru não aceitará mais migrantes sem documentos.

Desde 2015, mais de 1,5 milhões de venezuelanos chegaram ao país, fugindo de uma crise humanitária e política. “Não permitiremos a migração irregular. Não temos condições nem capacidade para receber mais migrantes”, afirmou.

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Le Monde com AFP

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Fonte: Le Monde

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