Para Putin, a operação dos EUA na Venezuela é uma faca de dois gumes

Volodymyr Zelensky não conseguiu reprimir um sorriso irônico, provavelmente nascido de frustração. Poucas horas depois do anúncio, no sábado, 3 de janeiro, da dramática operação militar dos EUA para capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro, acusado de tráfico de drogas, o líder ucraniano permitiu-se sonhar. “Se é possível fazer isto com ditadores tão facilmente, então os Estados Unidos sabem o que precisa ser feito a seguir”, disse ele numa sala cheia de jornalistas reunidos em Kiev. Não foram necessárias legendas. Zelensky referia-se a Vladimir Putin, o seu homólogo russo, que está sob um mandado de prisão do Tribunal Internacional de Justiça por crimes de guerra.

Durante mais de uma década, a Ucrânia lutou para defender a sua soberania, desafiada pelas ambições imperiais do líder russo. Depois de anexar a Crimeia em 2014 e de apoiar e armar separatistas na região de Donbass, Putin lançou tanques russos no país em Fevereiro de 2022, bombardeando alvos militares e populações civis sob o pretexto de tentar “desnazificar” a Ucrânia.

No fundo, a rápida operação americana poderia ser interpretada como uma vitória para Moscovo. A principal potência mundial também não confundiu o direito internacional, tal como fez a Rússia na invasão da Ucrânia? Ao mesmo tempo que afirmam acabar com o sofrimento do povo venezuelano e imploram para proteger os americanos do flagelo das drogas, os EUA parecem, na realidade, estar a cobiçar a riqueza petrolífera de Caracas. Segundo especialistas em geopolítica, a ofensiva dos EUA tem todas as características do neocolonialismo.

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Fonte: Le Monde

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