A proliferação de medicamentos para diabetes e emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro, parece ainda não ter impactado, ainda, o volume de compra de alimentos em supermercados e atacarejos no Brasil. Um levantamento feito pela empresa de inteligência de mercado Scanntech revela que o impacto da chegada destes medicamentos no Brasil sobre os mercados ainda é mínimo, ao contrário de mercados em que as substâncias já se consolidaram, como os Estados Unidos.
A pesquisa capturou que o crescimento no número oficial de vendas dos medicamentos a base de GLP-1 teve um impacto praticamente nulo em vendas na maioria dos setores alimentares, com estabilidade em mercearia básica e produtos perecíveis.
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Para chegar aos resultado, a Scanntech avalia desde variáveis macroeconômicas como inflação, renda média e taxa de desemprego até dados como temperatura média e interesse por bets para descartar que outros fatores impactem a análise. Depois, é feita uma avaliação de longo prazo, por região, para projetar o consumo. Só depois é sobreposto o consumo de canetas emagrecedoras para traçar uma correlação.
A diretora de marketing da scanntech e responsável pelos estudos de mercado da empresa, Priscila Ariani, adiciona ainda que a utilização dos remédios deve ser ainda superior aos dados oficiais, considerando o mercado paralelo deste tipo de substância. “Isso valida ainda mais os resultados da nossa análise de que, no país, não há impacto relevante de baixa nas vendas de alimentos provocada pelas canetas emagrecedoras.”
Na verdade, a pesquisa conseguiu identificar uma outra tendência. “O que nós vemos é que o crescimento do uso destes medicamentos está inserido em uma mudança comportamental ainda mais ampla na busca por saudabilidade, bem-estar e performance”, diz Ariani.
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Se por um lado o consumo de Ozempic e Mounjaro não diminuiu o consumo de alimentos em mercados e atacarejos no Brasil, categorias alimentares ligadas a proteínas e performance em atividades físicas ganharam espaço. O volume de whey protein cresceu 117,1%, seguido por creatina, com alta de 84,1%. Cereais proteicos avançaram 18,4% e iogurtes proteicos cresceram 22,5%, assim como produtos pré e pós-treino. Os leites saborizados com maior teor de proteína tiveram alta de 15,8%. Alimentos açucarados e calóricos, por outro lado, enfrentaram queda.
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“A redução de calorias e o aumento de proteínas são notórias no consumo, mas são decorrentes tanto do uso das canetas quanto de um movimento mais amplo de busca por um corpo mais fitness. Enquanto pacientes de GLP-1 recebem indicação de aumentar o aporte de fibras e proteínas, pessoas buscando uma vida mais saudável já vinham realizando esta troca” aponta Ariani.
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Estes suplementos, explica a pesquisadora, deixaram as bolhas de atletas para tomar a mesa da população em geral. “O contexto de saudabilidade e fitness se sobrepõe ao crescimento dos medicamentos – por exemplo, a busca pelo termo ‘academia’ no Google é 2,5 vezes maior do que pelo termo Mounjaro.”
A Scanntech avalia que a potencial queda da patente e o consequente aumento do acesso aos medicamentos podem tornar seus efeitos no consumo mais visíveis, com relação direta e mensurável. Uma pesquisa realizada pela Cornell University nos Estados Unidos, um mercado mais maduro para esse tipo de medicamentos, apontou para uma redução no consumo de alimentos de 5,3% em consumidores após seis meses de uso de medicamentos a base de GLP-1.
“Seguimos acompanhando o tema de forma contínua, observando categorias, missões de compra e transformações no comportamento do shopper”, diz Ariani.
Fonte: Info Money













