Os habitantes de Gaza vivem o inferno da ‘linha amarela’

“O que será das crianças? A mãe delas era tudo para elas.” Ao telefone, Moussa Warshagha, 30 anos, parecia perdido. Ele lutou para encontrar as palavras, sua voz abafada pelos gritos de seu filho pequeno, Ibrahim, de dois anos, que chamava por sua mãe. Basma, esposa de Warshagha, foi morta no dia anterior, 22 de fevereiro, na frente de dois de seus filhos, Ayman, 7, e Nafez, 4, em Beit Lahia, no norte da Faixa de Gaza.

Segundo o relato da família, as crianças caminhavam ao lado da mãe quando ela foi atingida por uma bala no abdômen e desmaiou. Quando Warshagha chegou ao Hospital Al-Shifa, para onde a sua esposa de 27 anos tinha sido levada, já era tarde demais. “Os intestinos de Basma foram destruídos porque era uma bala explosiva”, disse o pai, que, como todas as testemunhas citadas neste artigo, foi contactado remotamente devido ao facto de Israel ter proibido a entrada da imprensa estrangeira na Faixa de Gaza durante os últimos 28 meses.

Deslocada à força várias vezes, tal como o resto da população, a família Warshagha regressou a Beit Lahia após o acordo de cessar-fogo de 9 de outubro de 2025. Mais de 600 habitantes de Gaza foram mortos por Israel desde essa data.

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Fonte: Le Monde

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