Bloomberg Linea — A Oncoclínicas (ONCO3) viu na noite desta terça-feira (7) sua situação financeira ser oficialmente enquadrada como “inadimplência restrita” pela agência de classificação de risco Fitch Ratings, a um passo do default.
A classificação RD(bra), sigla em inglês para restricted default, é a penúltima categoria na escala de risco da agência americana antes do calote pleno. Ela indica que a empresa deixou de honrar uma obrigação financeira específica, mas ainda opera normalmente e não entrou com pedido de recuperação judicial.
O gatilho imediato da mudança foi o adiamento do pagamento de juros de duas emissões de debêntures (9ª e 12ª emissões). Em assembleias recentes, os próprios credores aprovaram postergar o recebimento dos juros para o dia 1º de junho.
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O adiamento foi negociado com grupos de debenturistas para evitar um calote imediato, mas a Fitch enquadra qualquer postergação de pagamento, mesmo acordada com credores, como inadimplência restrita.
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Uma terceira emissão de debêntures ainda não passou pelo mesmo processo. A assembleia convocada para deliberar sobre o adiamento dos juros dessa série não atingiu quórum. Nova reunião foi marcada para 10 de abril. Se os credores aprovarem a postergação, o rating desta emissão seguirá o mesmo caminho.
A Fitch considerou que o único caminho para uma recuperação de nota é a reestruturação formal da dívida. Caso a companhia ingresse com pedido de recuperação judicial ou encerre suas atividades, o rating cairá ao nível mais baixo da escala, que é o calote pleno e irreversível.
A Oncoclínicas também está atrasada na publicação de suas demonstrações financeiras de 2025, que deveriam ter saído até 31 de março e foram remarcadas para quinta-feira (9).
A companhia atravessa sua pior crise desde a abertura de capital. Uma das maiores redes de tratamento oncológico do Brasil, a empresa tem dívidas de R$ 4,8 bilhões, caixa insuficiente para honrar os compromissos de curto prazo e enfrenta uma crise de governança.
A dívida bruta total somava R$ 4,8 bilhões, distribuída entre debêntures (48%), Certificados de Recebíveis Imobiliários (32%), empréstimos bancários (13%) e contas a pagar por aquisições (7%).
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Ao final de setembro de 2025, a Oncoclínicas tinha apenas R$ 218 milhões em caixa para fazer frente a R$ 1,1 bilhão em obrigações de curto prazo.
A alavancagem bruta atingiu 8,2 vezes o Ebitda em setembro de 2025, patamar considerado insustentável. A agência projeta geração de caixa operacional negativa em torno de R$ 600 milhões em 2025 e R$ 200 milhões em 2026.
Crise de governança
No mesmo dia do rebaixamento pela Fitch, a Oncoclínicas informou que o presidente do conselho de administração, Marcelo Gasparino da Silva, renunciou ao cargo.
Os demais conselheiros permanecem em suas funções até a assembleia marcada para 30 de abril, quando todo o conselho será renovado, esclareceu a companhia.
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A reunião foi convocada a pedido do fundo americano MAK Capital Fund LP, detentor de 6,3% do capital votante. O fundo indicou quatro candidatos ao conselho e condicionou um aporte de recursos à eleição de seus nomes.
O cenário é agravado pelo bloqueio de R$ 494 milhões em aplicações mantidas no Banco Master, instituição que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central.
A Fitch classificou esses recursos como caixa restrito, dada a incerteza sobre sua recuperação.
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