O que você precisa saber sobre os ataques de Israel ao Líbano

O Líbano afirmou nesta quinta-feira (9), um dia depois de uma intensa onda de ataques aéreos israelenses, que mais de 200 pessoas foram mortas no bombardeio. Os ataques, que tiveram como alvo a milícia Hezbollah, apoiada pelo Irã, colocaram forte pressão sobre a frágil trégua entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Os ataques de quarta-feira (8) se somaram a um triste balanço de mortes no Líbano, onde mais de 1.500 pessoas foram mortas e mais de 1 milhão deslocadas desde o início da guerra contra o Irã, segundo autoridades libanesas.

Ao menos dois civis foram mortos em Israel em ataques do Hezbollah, e cerca de 10 soldados israelenses morreram, de acordo com autoridades israelenses.

Por que Israel está bombardeando o Líbano?

Pouco depois de Israel e os Estados Unidos iniciarem a guerra com o Irã, em 28 de fevereiro, o Hezbollah, em solidariedade ao Irã, disparou foguetes do sul do Líbano em direção a Israel. Isso desencadeou a atual ofensiva contra o Hezbollah, com o qual Israel entra em confronto há décadas.

Desde então, Israel invadiu grande parte do sul do Líbano e sinalizou que planeja ocupar a área. Há semanas, autoridades israelenses rejeitam publicamente tentativas do governo libanês de iniciar negociações diretas sobre um cessar-fogo.

Na quarta-feira, Israel afirmou que o Hezbollah, cujo tradicional reduto fica na periferia sul de Beirute, havia se reposicionado para outras partes da cidade. Isso aumentou a possibilidade de novos ataques em áreas que Israel ainda não havia atingido.

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O Líbano faz parte do cessar-fogo ou não?

Esse é um ponto de discórdia.

O primeiro-ministro Shehbaz Sharif, do Paquistão, país que intermediou a trégua com o Irã, afirmou que o acordo abrange os combates no Líbano. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, concorda. Mas o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, diz o contrário.

“Insisti para que o cessar-fogo temporário com o Irã não incluísse o Hezbollah, e continuamos a bombardeá-lo com força”, disse Netanyahu em um pronunciamento na televisão na quarta-feira.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, também afirmou que o Líbano não faz parte do acordo.

Reino Unido e França condenaram a intensificação dos ataques de Israel e disseram que o Líbano deveria ser incluído na trégua. Não fazê-lo “desestabilizará toda a região”, disse Yvette Cooper, ministra das Relações Exteriores britânica. Ela descreveu os ataques de Israel como “profundamente prejudiciais”.

Jean-Noël Barrot, ministro das Relações Exteriores da França, disse à rádio France Inter: “O Irã deve parar de aterrorizar Israel por meio do Hezbollah.” Mas acrescentou que o Líbano não deveria ser o “bode expiatório” de um governo israelense que está “frustrado porque um cessar-fogo foi alcançado entre os Estados Unidos e o Irã”.

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Um número enorme de libaneses continua deslocado, sem saber se poderá voltar para casa.

O que aconteceu na quarta-feira?

O ministro da Saúde do Líbano disse que o número de mortos nos ataques havia chegado a 203, com mais de 1.000 feridos. Foi o dia mais letal para o país desde o início da guerra.

Forças israelenses afirmaram ter realizado mais de 100 ataques aéreos em apenas 10 minutos. Sirenes soaram em toda Beirute, e uma densa fumaça se ergueu sobre o horizonte da cidade. Prédios residenciais foram reduzidos a escombros, e equipes de resgate se esforçaram para alcançar pessoas presas sob as ruínas.

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O Exército israelense afirmou ter matado o secretário pessoal do líder do Hezbollah, Naim Kassem. O secretário, Ali Yusuf Harshi, “desempenhava um papel central na gestão e na segurança” do gabinete de Kassem, segundo os militares.

Como o Irã e o Hezbollah responderam?

O Hezbollah condenou os ataques, afirmando que tinha um “direito natural e legal de resistir à ocupação e responder à sua agressão”. Na manhã de quinta-feira, o grupo voltou a disparar foguetes em direção a Israel.

A Guarda Revolucionária do Irã, em comunicado divulgado pela mídia estatal iraniana, ameaçou com uma retaliação militar caso os ataques de Israel ao Líbano não fossem “imediatamente interrompidos”.

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c.2026 The New York Times Company

Fonte: Info Money

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