O que vem por aí para Mohamed Salah e Liverpool?

Mohamed Salah foi um dos primeiros jogadores a sair do Liverpool camarim depois do domingo vitória em Nottingham Forest.

Questionado se gostaria de falar, o atacante egípcio gentilmente recusou e sorriu ao passar pela zona mista em direção ao ônibus do time. Não há necessidade de parar quando você está começando.

Já se passaram mais de dois meses desde a explosiva entrevista de Salah na zona mista no Leeds United, quando ele afirmou que o clube o jogou debaixo do ônibus depois que ele foi deixado de fora do time titular pelo terceiro jogo consecutivo.

Independentemente do que as pessoas pensassem, até certo ponto funcionou para ele.

Os problemas de lesão do Liverpool certamente também influenciaram e, desde que regressou da Taça das Nações Africanas (Afcon), em Janeiro, o jogador de 33 anos foi titular em todos os jogos pelo Liverpool. Antes do Afcon, o técnico Arne Slot não o iniciou por cinco jogos consecutivos.

Pessoas próximas da situação insistem que uma declaração em seus canais de mídia social foi considerada uma opção em vez da entrevista em Leeds, mas a raiva de Salah pela forma como ele sentiu que foi tratado foi tão grande que ele quis sair com todas as armas em punho.

“Não sei porquê, mas parece-me que alguém não me quer no clube”, disse Salah em Elland Road.

Na semana seguinte, ele pediu desculpas aos companheiros, apertou a mão de Slot e o técnico do Liverpool insistiu que não havia mais problema a ser resolvido. Salah foi para Afcon, onde prosperou.

Um membro da seleção egípcia disse à BBC Sport que foi o mais feliz que viram Salah – que o descreveu como “o melhor campo” de sua vida.

Em seu retorno ao Liverpool, ele voltou direto para o time, e depois que o Liverpool venceu o Brighton na FA Cup este mês – um jogo em que ele marcou um gol e uma assistência – Slot fez questão de destacar o trabalho de Salah fora da bola.

“O que mais gosto é que ele marca gols (o que você quase espera), mas também ajuda muito o time defensivamente e isso é algo muito positivo”, disse Slot.

Em termos de recuperação da posse de bola no campo e no terço final, Salah melhorou em comparação com a temporada passada.

Ele marcou dois gols e quatro assistências nesses oito jogos desde seu retorno, mas para um homem que se acostumou com o extraordinário, a principal métrica é onde ele está faltando.

É preciso voltar a novembro para seu último gol na Premier League, e se ele não marcar contra o West Ham, em Anfield, no sábado (15h GMT), serão 10 jogos sem gol na primeira divisão. Esta já é a seca mais longa de sua carreira na Premier League.

“Ele estabelece seus próprios padrões e esses são tão altos que, no momento em que ele não marca em alguns jogos, as pessoas ficam imediatamente surpresas. Esse é provavelmente o maior elogio que ele pode receber”, disse Slot na sexta-feira.

Salah é de facto uma vítima dos seus próprios padrões e, como tal, o seu abandono foi profundamente sentido. Ele tem uma média de 0,56 gols e assistências por jogo do campeonato nesta temporada, em comparação com 1,25 na temporada passada, quando marcou mais gols e registrou mais assistências. Em essência, sua produção ofensiva caiu para mais da metade.

Ele também está dando menos chutes e tocando menos na área adversária, enquanto seu xG (gols esperados) por 90 minutos caiu pela metade, de 0,68 para 0,34.

No entanto, os números gerais de ataque ainda são decentes. Salah tem mais participações em gols (10) na liga do que Cole Palmer e Bukayo Saka, e apenas Hugo Ekitike (12) tem mais pelo Liverpool.

“Estamos acostumados com Mo marcando muitos gols e essa é talvez a maior diferença em suas atuações neste momento. Mas também sabemos que isso já aconteceu antes. Já tive essas perguntas antes, quando ele não marcou três, não marcou cinco ou não sei os números exatos. Mas também sei que no final ele sempre começa a marcar de novo”, disse Slot.

Fonte: BBC – Esporte Internacional

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