O primeiro-ministro checo, Andrej Babis, distancia-se gradualmente do apoio à Ucrânia

Desde que regressou como primeiro-ministro em Praga, em 8 de Dezembro, o populista bilionário Andrej Babis tem caminhado sobre uma linha tênue na questão da Ucrânia. Embora pretenda romper com a política resolutamente pró-Kiev do seu antecessor, o conservador Petr Fiala (2021-2025), não quer, no entanto, parecer pró-Rússia. Na sexta-feira, 19 de dezembro, Babis chamou a atenção em Bruxelas ao anunciar que o seu país de 10 milhões de habitantes se recusaria a participar na garantia do pacote de empréstimos de 90 mil milhões de euros da União Europeia decidido na cimeira dos líderes da UE.

Pela primeira vez desde o início da guerra na Ucrânia, a República Checa aliou-se à Hungria de Viktor Orban e à Eslováquia de Robert Fico, dois líderes conhecidos por obterem favores do presidente russo, Vladimir Putin, e por ameaçarem regularmente bloquear o apoio europeu a Kiev. “Não temos a mesma posição que a Eslováquia e a Hungria”, insistiu Babis, sublinhando que a sua abordagem diplomática diferia da dos seus dois vizinhos da Europa Central.

Um ato de equilíbrio

“Apoiamos a Ucrânia. Aprovámos as conclusões da cimeira. Simplesmente não queremos garantir os empréstimos. A Eslováquia e a Hungria, por sua vez, recusaram todo o apoio”, explicou o septuagenário. A República Checa disse estar preparada para continuar a apoiar Kiev, mas apenas enquanto isso não custar mais nada ao país. Babis venceu as eleições parlamentares de 3 e 4 de outubro com 35% dos votos depois de fazer campanha contra as despesas das políticas governamentais de Fiala, que incluíram nomeadamente uma grande iniciativa internacional para entregas de munições que permitiu que quase dois milhões de munições chegassem a Kiev desde 2024.

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Fonte: Le Monde

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