“Este é um ato de retaliação e pura perseguição política.” Foi assim que Delia Espinoza, ex-procuradora-geral responsável pela investigação de crimes cometidos pelos mais altos funcionários do país, descreveu a sua proibição de 10 anos de cargos públicos. A decisão foi tomada em 3 de dezembro de 2025, pelo Congresso, o parlamento unicameral dominado pela direita. Depois, em 23 de janeiro, Espinoza foi destituído pelo Conselho Nacional de Justiça, órgão encarregado de nomear juízes.
Em Lima, Espinoza diz que se tornou um problema para as autoridades que investigava. “Mais de metade dos deputados estão sob investigação por vários alegados crimes de corrupção, que vão desde o tráfico de influência ao peculato ou abuso de autoridade”, explicou o magistrado de 59 anos. “Eles queriam me destruir. Mas também é uma mensagem para outros promotores que podem ficar tentados a prosseguir com essas investigações: ‘Isso é o que espera por você se não entrar na linha'”.
A destituição de Espinoza suscitou duras críticas por parte dos meios de comunicação independentes, de ONG e de organizações internacionais. A relatora especial das Nações Unidas sobre a independência de juízes e advogados, Margaret Satterthwaite, Peru, alertou que esta decisão “representa uma ameaça direta à integridade e justiça dos processos judiciais no país”. Em contrapartida, o presidente do Congresso, o fujimorista Fernando Rospigliosi (direita e membro do partido que leva o nome do ex-presidente autoritário Alberto Fujimori, 1990-2000), comemorou no X a recente “queda” dos magistrados “caviar”, uma referência à esquerda progressista.
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Fonte: Le Monde











