“No Médio Oriente e noutros lugares, as tediosas exigências da diplomacia são essenciais para alcançar a paz”

Óm 8 de maio de 2018, Donald Trump enfrenta confronto sobre negociações com o Irã. Nesse dia, o presidente norte-americano retirou os Estados Unidos do acordo multilateral alcançado três anos antes para travar o programa nuclear do Irão até 2025 e impedir a República Islâmica de adquirir armas nucleares. Os outros signatários – França, Reino Unido, Alemanha, Rússia, China e, claro, o Irão – nada puderam fazer senão protestar em vão contra o ditador da Casa Branca.

O antecessor de Trump, Barack Obama, o principal arquitecto desse acordo, afirmou claramente na altura que “os Estados Unidos poderiam eventualmente ficar com uma escolha perdida entre um Irão com armas nucleares ou outra guerra no Médio Oriente”. Trump lançou essa guerra em 28 de Fevereiro, ao lado de Israel, mergulhando o mundo na incerteza.

A escalada cada vez mais incontrolável quase nos faz esquecer que o mesmo Trump se vangloriou, no outono de 2025, de ter estabelecido a paz no Médio Oriente pela primeira vez “em 3.000 anos” – uma referência à trégua que está em vigor desde 10 de outubro na Faixa de Gaza, após dois anos de uma guerra de aniquilação contra o enclave palestiniano.

Mas o cessar-fogo foi superficial: mais de 600 palestinianos e quatro soldados israelitas foram mortos em cinco meses, no meio de um cerco humanitário ainda rigoroso. Além disso, o exército israelita continua a ocupar mais de metade da Faixa de Gaza, deslocando cerca de 2 milhões de civis em 150 km2 de um território amplamente devastado. O comité de tecnocratas palestinianos encarregado de supervisionar a reconstrução por Trump nem sequer foi autorizado pelo exército israelita a entrar no enclave, deixando-o efectivamente nas mãos do Hamas.

Conselho de Paz

Isto não impediu o presidente dos EUA de lançar o seu Conselho de Paz em 22 de Janeiro, no Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça. Esta estrutura sem precedentes assemelha-se mais a um órgão executivo de gestão do que a uma instituição multilateral, com dois conselhos executivos: um presidido por Trump, com um mandato global que compete abertamente com as Nações Unidas, e outro encarregado de pacificar e reconstruir Gaza.

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Fonte: Le Monde

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