A Nestlé avalia reduzir sua participação na Froneri, joint venture global de sorvetes criada em 2016 com a gestora PAI Partners, do BNP Paribas, apurou a Bloomberg. A decisão faz parte de uma revisão estratégica conduzida pelo novo CEO da companhia, Philipp Navratil.
A multinacional suíça estuda alternativas que incluem reduzir sua fatia na Froneri ou vender parte de suas operações próprias remanescentes de sorvetes para a joint venture. As conversas ainda estão em estágio preliminar e não há garantia de que uma transação será fechada.
A Froneri foi avaliada em cerca de € 15 bilhões no ano passado, incluindo dívida, quando a Abu Dhabi Investment Authority (Adia) entrou como investidora minoritária. O fundo PAI levantou bilhões de euros para manter sua posição no negócio.
No Brasil, a Froneri é a empresa por trás dos Sorvetes Nestlé – sucessora da antiga Yopa, marca famosa no país nos anos 1990. Naquela época, os sorvetes da Nestlé no Brasil eram vendidos sob a marca Yopa, fruto de uma parceria com a General Mills. A estrutura foi reformulada ao longo dos anos e acabou incorporada à Froneri.
A operação brasileira da Froneri conta com fábrica no Rio de Janeiro, distribuição nacional e investimento recente de R$ 250 milhões para ampliar presença no varejo, incluindo a compra de freezers e expansão da produção. As marcas de sorvete Mega, KitKat e LaFrutta fazem parte do portfólio brasileiro.
A empresa também produz no país sorvetes licenciados de marcas como Mondelez (Lacta) e Fini, além de exportar picolés de frutas para os Estados Unidos e outros mercados da América Latina.
Na Europa e em outros mercados fora da América do Norte, a Froneri também distribuiu a marca Häagen-Dazs, que pertence à americana General Mills. Nos Estados Unidos e no Brasil, no entanto, a marca segue sob controle direto dos americanos.
Procurados pela Bloomberg, Nestlé, Froneri, Adia e PAI não comentaram.
Mudanças no conselho
Nesta quarta-feira (18), a Nestlé anunciou mudanças no conselho de administração antes da divulgação do balanço anual. A empresa indicou Thomas Jordan, ex-presidente do Banco Central da Suíça, e Fatima Francisco, executiva da Procter & Gamble, para integrar o board. Ambos serão submetidos à votação na assembleia geral de abril.
Segundo a companhia, a reformulação busca ampliar o engajamento do conselho após uma revisão interna de governança. O presidente do conselho, Pablo Isla, afirmou que as mudanças devem “fortalecer a supervisão e melhorar a tomada de decisões”.
Isla assumiu o comando do board no ano passado após uma crise de governança que levou à saída do então CEO Laurent Freixe, envolvido em um relacionamento não divulgado, e à posterior renúncia do presidente de longa data Paul Bulcke.
Thomas Jordan é um dos nomes mais conhecidos do sistema financeiro suíço. Ele comandou o Banco Nacional da Suíça durante a retirada do teto cambial do franco em 2015 e também durante o colapso do Credit Suisse, em 2023. Atualmente integra o conselho da seguradora Zurich Insurance.
Já Fatima Francisco traz experiência no setor de bens de consumo e reforça a diversidade de gênero no conselho da Nestlé.
Ação pressionada
As ações da Nestlé estão próximas do menor nível em oito anos e acumulavam queda de cerca de 40% desde o pico em 2022 até esta semana. No mesmo período, concorrentes como Danone e Unilever avançaram mais de 20%.
A companhia enfrenta ainda uma crise envolvendo contaminação em fórmulas infantis, que também atinge Danone e Lactalis. A Nestlé deve divulgar resultados nesta semana, e analistas projetam desempenho fraco. O foco do mercado, porém, deve estar nos planos estratégicos e eventuais desinvestimentos.
Fonte: Invest News













