Nos minutos que se seguiram ao anúncio da morte de Leila Shahid, na quarta-feira, 18 de fevereiro, aos 76 anos, os seus admiradores da Palestina, França e outros lugares publicaram uma enxurrada de fotos comemorativas nas redes sociais. Não as selfies habituais destinadas a embelezar um resumo do LinkedIn, mas momentos da vida real, reuniões familiares e sorrisos largos e radiantes. Estas mensagens de tristeza, mas também de gratidão, assinadas por compatriotas e companheiros de viagem, falavam da aura única que rodeava Shahid.
A antiga representante da Palestina em França (1993-2006) e na União Europeia (2006-2015) – período durante o qual se tornou uma figura familiar na televisão francesa – foi muito mais do que uma diplomata. Uma mulher de convicção e de diálogo, que contava com muitos artistas e intelectuais entre os seus amigos íntimos, apaixonada pela sua causa mas sensível a todas as formas de injustiça, uma formidável debatedora temida pelos seus homólogos israelitas, mas intransigente na questão do anti-semitismo, Shahid foi uma grande dama, a grande dama da Palestina.
Mas ela, que dedicou a sua vida à defesa do seu povo e da sua terra, derramando uma força vital incomum nessa missão, carregava muitas cicatrizes escondidas. A destruição da Faixa de Gaza, na sequência do ataque sangrento a Israel pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, mergulhou-a numa depressão da qual nunca conseguiu recuperar. Shahid acabou com a vida em sua casa em La Lèque, no sul do departamento de Gard, não muito longe de Uzès, onde morava com o marido, o romancista marroquino Mohamed Berrada. O casal não teve filhos.
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Fonte: Le Monde













