A Microsoft anunciou um pacote de investimentos de US$ 10 bilhões ao longo de quatro anos no Japão, em um dos principais pilares de sua ofensiva em inteligência artificial na Ásia.
A empresa, uma das primeiras apoiadoras da OpenAI, vai desenvolver infraestrutura de nuvem e IA em parceria com a Sakura Internet e a operadora de telecomunicações SoftBank. As duas empresas japonesas vão fornecer GPUs e outros recursos computacionais. Com a notícia, as ações da Sakura Internet dispararam 20% nesta sexta-feira, enquanto os papéis da SoftBank, braço de telecomunicações do grupo SoftBank, subiram 1,6%.
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Como parte do pacote, a Microsoft — cujo Copilot tem tido dificuldades para acompanhar o ritmo do ChatGPT, da OpenAI, e do Gemini, do Google — também vai investir em parcerias na área de cibersegurança e treinar 1 milhão de engenheiros de IA até 2029. Mas a maior parte dos recursos será destinada à ampliação da capacidade de computação em nuvem da companhia e à construção de novos data centers, disse o presidente da empresa, Brad Smith, em entrevista à Bloomberg e à emissora japonesa TBS.
“Não construímos esse tipo de estrutura apenas na base da esperança. Fazemos isso com base em demanda clara e sinais concretos de demanda”, afirmou Smith, após uma reunião com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Segundo ele, agir devagar demais significaria perder participação de mercado para concorrentes ou deixar o Japão para trás.
“Obviamente, precisamos manter os pés no chão mesmo avançando rápido. E é isso que estamos fazendo.”
A companhia, sediada em Redmond, no estado de Washington, disputa com Amazon e Alphabet a liderança no Japão, que tenta montar um ecossistema robusto de IA e reduzir a distância em relação aos Estados Unidos e à China. O novo compromisso da Microsoft no país — que, segundo a empresa, também ajuda a manter o processamento de dados dentro das fronteiras japonesas — vem na sequência de anúncios semelhantes feitos nesta semana em Cingapura e na Tailândia, além da promessa feita em 2024 de investir cerca de US$ 2,9 bilhões no Japão em dois anos.
Mas os planos das grandes empresas americanas de tecnologia de gastar cerca de US$ 650 bilhões neste ano na expansão de data centers, altamente intensivos em consumo de energia, esbarram em restrições globais de oferta elétrica, em meio ao segundo mês da guerra no Oriente Médio. Pobre em recursos naturais, o Japão depende da região para mais de 90% de seu petróleo e já recorre a usinas termelétricas a carvão, menos eficientes, para garantir o atendimento da demanda atual de energia.
“É um mundo incerto”, disse Smith, de 67 anos, sobre a possibilidade de escassez de petróleo. “Vamos conseguir administrar isso, mas essa é uma das razões pelas quais buscamos tanta diversidade quanto possível em nossa cadeia de suprimentos.”
O governo japonês reservou cerca de 1,23 trilhão de ienes, o equivalente a US$ 7,7 bilhões, para apoiar neste ano fiscal o desenvolvimento de chips de ponta e de inteligência artificial. A meta é usar a liderança do país em robótica industrial para conquistar mais de 30% do mercado global da chamada “IA física” até 2040.
A Microsoft também passou a dar mais foco à venda do Copilot, sua ferramenta de IA para o ambiente de trabalho, em vez de oferecê-la gratuitamente como parte de um pacote de software. A empresa está unificando as equipes do Copilot voltadas aos consumidores e aos clientes corporativos, numa tentativa de criar uma experiência mais fluida de IA em todo o seu portfólio.
Fonte: Invest News













