Manifestantes indígenas ocuparam o terminal portuário da Cargill em Santarém (PA) e interromperam as operações no local, informou a empresa norte-americana de comercialização de grãos em comunicado divulgado neste sábado (21).
Os manifestantes forçaram os funcionários da Cargill a deixar o terminal privado na noite de sexta-feira, informou a empresa, acrescentando que está em contato com as autoridades locais para que a remoção seja realizada “de forma ordeira e segura”.
A Cargill embarcou mais de 5,5 milhões de toneladas métricas de soja e milho através de Santarém no ano passado, de acordo com dados do setor portuário. O volume exportado, proveniente principalmente da região Centro-Oeste, representou mais de 70% do volume total de grãos movimentados em Santarém.
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A Cargill disse que há “fortes indícios de vandalismo e depredação dos ativos” no terminal.
Dragagem de rios
A ocupação marca uma escalada entre os manifestantes e a empresa em relação aos planos propostos para dragar rios locais, como o Tapajós, por onde passam grãos como soja e milho antes de chegarem aos mercados de exportação.
A Cargill afirmou que não tem controle sobre os planos de dragagem dos rios.
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Os manifestantes bloqueavam o acesso de caminhões ao terminal desde 22 de janeiro, com impacto limitado nas operações da Cargill, já que a maior parte dos grãos chega por barcaças antes de ser transportada para navios para exportação.
Em uma carta após a ocupação, os manifestantes exigiram que o governo brasileiro reconsidere um decreto que, segundo eles, abriria os rios da Amazônia para a dragagem.
“Os rios não são canais de exportação: são fonte de vida, sustento, memória e identidade para milhares de famílias”, disse a carta, acrescentando que a dragagem afetaria a qualidade da água e a pesca da qual dependem para sobreviver.
O governo brasileiro não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Anteriormente, afirmou que a dragagem é uma medida de rotina para garantir o tráfego fluvial durante períodos de baixo nível de água.
Nota de repúdio
A Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) divulgou nota repudiando o que chamou de “atos de violência” com a “invasão, depredação e ocupação irregular” do Terminal Portuário de Santarém (PA), além de ataques ao escritório da Cargill, em São Paulo (SP).
“As ocorrências envolveram destruição de equipamentos, danos às estruturas operacionais, ameaças a trabalhadores e restrição de liberdade por horas, com risco à integridade física dos envolvidos. Tais práticas são incompatíveis com o exercício legítimo do direito de manifestação e não contribuem para a construção de soluções”, disse a associação.
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Segundo a BBTP, as reivindicações apresentadas dizem respeito a matérias de competência exclusiva do Governo Federal. “Direcionar ações violentas contra empresa privada sem ingerência sobre a pauta desvirtua o debate democrático, fragiliza a segurança jurídica e coloca em risco empregos, renda e a continuidade de atividades essenciais”, alegou a entidade
A associação solicitou às autoridades a adoção imediata das seguintes medidas:
• Restabelecer a posse e o funcionamento seguro do Terminal de Santarém, conforme decisão judicial vigente;
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• Garantir a segurança e a integridade dos trabalhadores;
• Assegurar a realização de perícias e a devida apuração dos fatos;
• Proteger o patrimônio público e privado e evitar novos prejuízos operacionais.
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A associação disse ainda que a defesa de quaisquer causas deve ocorrer dentro dos limites legais e democráticos. “A violência, a intimidação e a interrupção forçada de atividades produtivas comprometem o ambiente de negócios, a geração de empregos e a confiança institucional, e exigem resposta firme das autoridades competentes”.
Fonte: Info Money













