Os guineenses votaram nas eleições presidenciais no domingo, 28 de dezembro, com Mamady Doumbouya, um general que liderou a junta que tomou o poder há quatro anos, o claro favorito, e os principais líderes da oposição impedidos de concorrer.
Ao concorrer, o homem forte renunciou ao compromisso de não se candidatar a cargos públicos e de devolver o país da África Ocidental ao domínio civil até ao final de 2024. Desde que tomou o poder em 2021, Doumbouya reprimiu as liberdades civis e os protestos foram proibidos enquanto os opositores foram presos, levados a julgamento ou levados ao exílio.
Anteriormente, escoltado por dezenas de membros das forças especiais, o chefe da junta votou com a sua esposa num distrito central da capital Conacri. Vestido com um boubou e um boné branco, Doumbouya – que não realizou nenhum comício durante a campanha – cumprimentou os apoiantes, mas não fez qualquer declaração.
Os jornalistas da AFP viram uma grande presença de segurança, incluindo veículos blindados, patrulhando as ruas da capital. As forças de segurança disseram ter “neutralizado” membros de um grupo armado com “intenções subversivas que ameaçam a segurança nacional” no sábado nos subúrbios de Conacri.
Doumbouya parecia prestes a vencer no primeiro turno, contra oito rivais restantes relativamente desconhecidos. Resultados provisórios são esperados dentro de dois dias.
Calma
A oposição apelou ao boicote à votação, num país rico em minerais, mas onde 52 por cento da população vive na pobreza, segundo dados do Banco Mundial.
O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Turk, disse na sexta-feira que a campanha foi “marcada pela intimidação de atores da oposição, desaparecimentos forçados aparentemente por motivação política e restrições à liberdade da mídia”.
A votação, que ocorreu no mesmo dia das eleições na República Centro-Africana, coroa um ano eleitoral movimentado em África – marcado pelo autoritarismo e pela opressão, bem como por vitórias de vários líderes de longa data, incluindo nos Camarões e na Costa do Marfim, onde os principais rivais também foram barrados.
‘Charada eleitoral’
A Guiné viveu uma rara transição democrática com a eleição de Alpha Conde, em 2010, o seu primeiro presidente eleito livremente. Doumbouya o segue em setembro de 2021.
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A nova constituição da Guiné permitiu aos membros da junta, incluindo Doumbouya, concorrer às eleições e prolongou os mandatos presidenciais de cinco para sete anos, renováveis uma vez.
O líder da oposição e ex-primeiro-ministro Cellou Dalein Diallo condenou a votação como “uma charada eleitoral” que visa dar legitimidade ao “planejado confisco do poder”.
Ele é um dos três líderes da oposição impedidos de votar pela nova constituição.
Diallo foi excluído porque vive no exílio e a sua residência principal não é na Guiné. O ex-presidente Conde e o ex-primeiro-ministro Sidya Toure, que também vive no exílio, já ultrapassaram o limite máximo de idade de 80 anos.
Num vídeo nas redes sociais, Doumbouya elogiou as suas conquistas em termos de infra-estruturas, prometeu combater a corrupção e expressou a sua ambição de “fazer da Guiné um país emergente”.
Le Monde com AFP
Fonte: Le Monde













