Na sexta-feira, 30 de março, por volta das 10 horas, os tripulantes do Ocean Viking avistaram uma forma flutuante, agitada pelas ondas do mar de inverno, algures no Mediterrâneo entre a costa tunisina e a ilha italiana de Lampedusa. Nesta área, onde barcos precários que transportam migrantes tentam chegar à Europa vindos do Norte de África, havia poucas dúvidas sobre o que estavam a testemunhar.
Ao se aproximarem em botes usados para resgatar pessoas que tentavam a travessia em botes infláveis ou esquifes de metal e madeira, os socorristas da organização não governamental SOS Méditerranée, que opera o navio, identificaram o corpo de uma mulher. Nas imagens feitas durante a operação, seu rosto estava voltado para o fundo do mar, seu corpo cercado por uma câmara de ar inflada que não foi suficiente para salvá-la.
Este corpo sem nome testemunhou um desastre que permaneceu invisível, mas demasiado real. Como revelaram a Rádio Radicale – a rádio oficial do Partido Radical Italiano, e o seu jornalista especializado em questões migratórias, Sergio Scandura –, oito navios em perigo que partiram da região de Sfax, na Tunísia, entre 14 e 21 de Janeiro, transportando até 380 pessoas, foram denunciados pela guarda costeira italiana na área.
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Fonte: Le Monde













