Lula e Milei discutem sobre Venezuela na cúpula do Mercosul

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o argentino Javier Milei, no sábado, 20 de janeiro, entraram em confronto aberto em uma cúpula regional sobre o destino da Venezuela, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, aumentava a pressão sobre Caracas. Os comentários de Lula e Milei ocorreram em reunião do bloco sul-americano do Mercosul, na qual estava na agenda um futuro acordo comercial com a União Europeia.

Mas as tensões sobre a Venezuela, que já foi membro do Mercosul, mas suspensa em 2016, explodiram abertamente, com Lula alertando que o conflito armado poderia desencadear uma “catástrofe humanitária”, e Milei elogiando a atitude agressiva de Trump. Os militares dos EUA reforçaram a sua presença nas Caraíbas nos últimos meses e realizaram ataques aéreos contra alegados barcos de droga na região e no Pacífico, alegando que estão a combater o tráfico de estupefacientes. Mas o homem forte venezuelano, Nicolás Maduro, diz que a campanha faz parte de um esforço mais amplo para levar a cabo uma mudança de regime em Caracas, e Trump disse esta semana que não pode descartar a possibilidade de guerra.

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“Uma intervenção armada na Venezuela seria uma catástrofe humanitária para o hemisfério e um precedente perigoso para o mundo”, disse Lula na abertura da cúpula do Mercosul na cidade de Foz do Iguaçu, no sul do país.

Mas Milei, um aliado de Trump, seguiu com a sua própria opinião sobre a situação, dizendo: “A Argentina saúda a pressão dos Estados Unidos e de Donald Trump para libertar o povo venezuelano. O tempo para uma abordagem tímida sobre este assunto acabou”.

O governo dos EUA acusou Maduro de liderar o “Cartel dos Sóis”, acusação que ele nega. Trump também anunciou um bloqueio aos petroleiros sob sanções que partem ou chegam à Venezuela.

Lula pede ‘coragem’ à UE no comércio

Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai esperavam finalmente selar no sábado um acordo com a UE para criar a maior zona de livre comércio do mundo, assim como fizeram a chefe da UE, Ursula von der Leyen, e a maioria dos estados membros do bloco europeu. No entanto, o acordo encontrou forte oposição por parte dos agricultores, nomeadamente em França e Itália, e foi agora adiado para Janeiro.

“Sem vontade política e coragem por parte dos líderes não será possível concluir negociações que se arrastam há 26 anos”, disse Lula em seu discurso de abertura.

“Temos em mãos a oportunidade de enviar ao mundo uma mensagem importante em defesa do multilateralismo e de reforçar a nossa posição estratégica num ambiente global cada vez mais competitivo”, disse Lula aos presentes. “Mas, infelizmente, a Europa ainda não tomou a sua decisão.”

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O presidente brasileiro de esquerda disse ter recebido uma carta de líderes da UE expressando confiança de que o acordo seria aprovado em janeiro. Uma fonte da Comissão Europeia e dois diplomatas que pediram anonimato disseram que a nova data prevista para assinatura foi marcada para 12 de janeiro no Paraguai. As negociações começaram em 1999. Mas o ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Ruben Ramirez, disse que nem ele nem seu homólogo brasileiro, Mauro Vieira, tinham conhecimento de qualquer “comunicação oficial” sobre o assunto.

O acordo ajudaria a UE a exportar mais veículos, maquinaria, vinhos e bebidas espirituosas para a América Latina. Em troca, facilitaria a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanos. Alguns países da UE, como a Alemanha e a Espanha, estão entusiasmados com um pacto que poderá ajudar a impulsionar as exportações num momento de tensões comerciais globais. Mas o acordo proposto provocou ansiedade entre os agricultores que temem ser prejudicados por um fluxo de produtos mais baratos do gigante agrícola Brasil e dos seus vizinhos.

Além de Lula e Milei, o presidente uruguaio Yamandu Orsi e o paraguaio Santiago Pena participaram da cúpula em Foz do Iguaçu, lar de um dos maiores sistemas de cachoeiras do mundo, na fronteira com a Argentina. A Bolívia é o mais novo membro pleno do Mercosul, mas não faz parte do acordo comercial.

Le Monde com AFP

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Fonte: Le Monde

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