Justiça cancela a sua falência

A novela da falência da centenária tecelagem Teka, que se desenrolou ao longo de todo o ano passado, finalmente chegou a um desfecho – ou até pelo menos segunda ordem e nova reviravolta: a Justiça cancelou em decisão nesta terça-feira (9) o processo de fechamento do negócio. A indústria que já foi sinônimo de produtos de casa, mesa e banho no Brasil vai continuar na ativa.

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) aprovou por unanimidade em segunda instância os agravos de instrumentos movidos pelos representantes do atual controlador do grupo catarinense, o FIP (Fundo de Investimento em Participações) Alumni.

Isso significa que o tribunal revogou a falência que havia sido decretada em primeira instância em fevereiro do ano passado.

O Alumni pertence à gestora Buriti Investimentos e se especializou em atuar na reestruturação e na aquisição de participações em empresas em dificuldades financeiras.

Além da Teka, o FIP chegou a deter recentemente participação no Grupo Toky, dono da Mobly e da Tok&Stok, atualmente em recuperação judicial, mas se desfez das ações depois de não conseguir assumir o controle da companhia, como pretendido.

A Teka viveu nos últimos 12 meses uma intensa batalha nos tribunais pela sobrevivência. De um lado, o antigo administrador judicial do grupo, o escritório Leiria & Cascaes, que obteve, em primeira instância, o deferimento da falência da indústria têxtil, alegando incapacidade de pagar as dívidas.

Do outro lado, o FIP Alumni, representado pelos escritórios Chiarottino e Nicoletti Advogados e Modesto, Carvalhosa, Kuyven e Ronco Advogados, que assumiu a gestão da companhia em meados de 2025 após ter entrado na Justiça para reverter a falência. O fundo injetou R$ 100 milhões na empresa após passar a administrar o grupo.

Em março de 2025, o TJSC suspendeu o processo de falência até que fosse concluída uma auditoria financeira independente para avaliar quem tinha razão sobre a viabilidade ou não de manter as operações da Teka.

Os novos administradores da indústria centenária conseguiram negociar a maior parte da dívida tributária da companhia e obter um desconto de 84%. Isso levou a obrigação financeira para R$ 329 milhões. Além da redução, a Teka tem ainda créditos fiscais, que podem ser utilizados para pagar a dívida federal. 

O TJSC acatou os argumentos e, com o resultado da auditoria independente, decidiu pela revogação da falência. A companhia, no entanto, ainda se mantém em processo de recuperação judicial.

Cama, mesa, banho e dívidas

A marca catarinense viveu seu auge nos anos 1990 até 2000, quando seus produtos, vendidos em todo o país, tinham ampla presença nos lares brasileiros.

Hoje o grupo atua, principalmente, no mercado de enxovais para hotelaria e hospitais, com atendimento a 5 mil hotéis no país e clientes como Accor, Slaviero e THG.

A produção se concentra em duas plantas fabris, em Blumenau e em Arthur Nogueira, no interior de São Paulo, que reúnem mais de 2 mil funcionários.

Uma curiosidade: a marca vem da forma como se fala a sigla TK, de Tecelagem Kuehnrich, o nome original da companhia criada em 1926, na cidade de Blumenau.

A Teka entrou em recuperação judicial há 13 anos e, desde então, tem lutado para sanear dívidas que já chegaram a somar, como citado, R$ 4 bilhões.

Fonte: Invest News

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