Bloomberg Línea — O Itaú Unibanco (ITUB4) espera aumentar a concessão de crédito ao seu público-alvo em 2025 mesmo em um cenário de juros elevados e incertezas internacionais.
Segundo o CEO do maior banco brasileiro, Milton Maluhy Filho, isso deve ocorrer apesar da perspectiva do banco de uma desaceleração do crescimento da carteira de crédito em 2025.
“Em algumas linhas, o Itaú vai crescer mais do que no ano passado. Vamos conseguir manter market share. As métricas continuam saudáveis. Vamos crescer forte no nosso público-target”, afirmou Maluhy Filho, em conversa com jornalistas nesta sexta-feira (9).
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O executivo descartou uma revisão das projeções (guidances) divulgadas em fevereiro, citando a falta de visibilidade sobre a trajetória dos juros e as incertezas internacionais.
O banco manteve o range de crescer sua carteira entre 4,5% e 8,5% em 2025, ou seja, abaixo do ritmo do ano anterior (15,5%).
O resultado do primeiro trimestre do Itaú (ITUB4) apontou um lucro de R$ 11,1 bilhão, alta anual de 13,9%, com a carteira crescendo no ritmo de 13,2%. O banco também informou uma rentabilidade de 22,5% no trimestre, além de uma inadimplência controlada e índice recorde de eficiência.
A projeção de ritmo menor na concessão de crédito em 2025 não significa, segundo o executivo, que o Itaú não vá crescer forte em linhas de empréstimos para seu público-alvo, que ele descreveu como clientes mais resilientes aos ciclos econômicos, como empresas de melhor avaliação de risco.
Os modelos de gestão de risco da instituição apontam para um controle da inadimplência, segundo o resultado do primeiro trimestre, descontando a sazonalidade do período, principalmente para pessoas físicas devido à concentração de despesas extras típicas de início do ano.
“Buscamos um crescimento de carteira com muita qualidade e sustentável no longo prazo. Com mais visibilidade sobre quando o juro tende a cair no brasil, vamos estar prontos para acelerar ou reduzir nosso apetite ao risco”, disse o CEO.
Maluhy Filho fez referência à decisão do Banco Central na última quarta-feira (7) de elevar a taxa Selic em 0,50 ponto percentual para 14,75% ao ano.
“O objetivo da política monetária restritiva é desaquecer a economia, o crescimento das carteiras de crédito. Quando fizemos os guidances de 2025, já consideramos o cenário de desaceleração do PIB”, disse o CEO.
O executivo também ponderou o efeito cambial nos resultados do banco. No final do ano passado, o real se desvalorizou muito e o dólar superou R$ 6 devido aos riscos fiscais do Brasil e a perspectiva de resiliência da economia americana antes do início do governo Trump e sua política de tarifas.
“Controlamos menos o efeito da variação cambial no nosso portfólio, fazemos a gestão de risco de acordo com a taxa. No ano passado, o câmbio foi um ofensor”, afirmou o CEO.
A ação do banco iniciou o pregão em alta na B3, em reação ao balanço trimestral com lucro acima do consenso de economistas consultados pela Bloomberg.
Por volta das 10h30, o papel registrava alta de 1,7%, cotado a R$ 35,94, acumulando valorização de 29% neste ano.
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