Na segunda-feira, 2 de fevereiro, Sanam, uma jovem médica de Teerão, que preferia usar um pseudónimo, passava uma noite tranquila em casa quando as forças de segurança invadiram o seu apartamento. No dia anterior, a unidade de serviços de inteligência (herasatem persa) no seu hospital pediu os nomes e números de identidade dos manifestantes feridos que tinham chegado para tratamento. Sanam respondeu: “Não tenho esta informação”. Na manhã de segunda-feira, quatro policiais arrombaram sua porta e ameaçaram matá-la, a menos que ela cooperasse dentro de dois ou três dias. Desde então, ela saiu de casa e agora vive com medo de ser presa.
Desde os protestos em massa que tiveram lugar no Irão, de 8 a 11 de Janeiro, para pedir a queda da República Islâmica, as autoridades reforçaram o seu controlo sobre os médicos e profissionais de saúde que cuidam dos feridos. Na sua edição de 2 de Fevereiro, o diário reformista Shargh relatou a prisão de 25 médicos e enfermeiros. Alguns nomes foram divulgados por familiares, outros por colegas.
A equipe médica foi a primeira a testemunhar uma repressão sem precedentes. Segundo a Agência de Notícias dos Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA), foram confirmadas as mortes de pelo menos 6.305 manifestantes e 17.091 casos estão em análise, o que poderá elevar o total para mais de 23 mil vítimas.
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Fonte: Le Monde













